Rio de Janeiro - Presa no porta-malas do Verona de um tio, a estudante Marliele Andrade de Oliveira, 10 anos, morreu anteontem em Niterói (cidade a 15 km do Rio) quando um táxi desgovernado atingiu a traseira do carro.
De acordo com o padrasto da menina, o comerciante Carlos Alberto Boschiglia, 39 anos, a menina entrara no porta-malas, com a prima Larissa Yasmin, 10 anos, para apanhar refrigerantes. O carro estava parado em fila dupla na praia do Preventório. Larissa sofreu apenas ferimentos leves. A prima morreu na hora.
A versão do padrasto é contestada no depoimento de uma testemunha ouvida pelo delegado Sarmet Franco, da 79.ª Delegacia de Polícia. O desempregado Maurício Veríssimo, 29 anos, disse que as crianças estavam de castigo no porta-malas. Veríssimo afirmou que, após a batida, ouviu a mãe de Marliele, a dona de casa Aldinéia Andrade Teixeira, 32 anos, reclamar que o marido não deveria ter castigado as crianças daquela forma.
O delegado está levando mais em conta a versão da testemunha. Ontem, ele indiciou o padrasto, a mãe e o tio, José Trigueiro de Souza Filho, 51 anos, motorista do Verona, pelo crime de maus tratos - pena de quatro anos 12 anos de prisão nos casos em que a vítima morre, de acordo com o artigo 136 do Código Penal. Além disso, Franco pediu à Justiça a decretação da prisão dos três acusados.