Teerã - Autoridades européias e iranianas encerraram ontem sem sucesso as negociações sobre o programa nuclear que o Irã desenvolve a contragosto da opinião ocidental. “Nossos termos são simples e legítimos e não colocam em risco o desenvolvimento iraniano. Infelizmente, não conseguimos atingir o acordo”, lamentou Philippe Douste-Blazy, chanceler francês.
Os EUA e a Europa querem a interrupção do programa de pesquisa e desenvolvimento nuclear iraniano. O programa inclui enriquecimento de urânio, que pode ser usado tanto para produção de energia elétrica quanto para a fabricação de armas nucleares.
Os europeus haviam interrompido o diálogo com os iranianos depois que o país retomou seu programa nuclear, em janeiro. Na próxima segunda-feira, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) reúne-se e pode decidir levar o caso do país persa ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
O ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, ressaltou: “A reunião de hoje (ontem) veio num momento crítico. Se queremos sucesso, precisamos obtê-lo agora”. A AIEA publicara uma resolução em 4 de fevereiro e pedira a interrupção do programa, o que o Irã não fez. Teerã declara que o programa tem fins pacíficos. Seu negociador, Ali Larijani, havia insistido ontem na continuidade da negociação com a Rússia.
Esta propôs enriquecer urânio em seu território para seu parceiro comercial, proposta que tampouco gerou acordo. Para Larijani, levar o Irã ao Conselho de Segurança acaba com a iniciativa russa. O Conselho de Segurança pode determinar sanções. Um embargo comercial ao Irã, segundo maior produtor dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, causaria grande impacto no mercado mundial. Juntamente com ataques recentes a instalações petroleiras nigerianas e sauditas, a reunião de hoje fez o preço do barril, que fechou ontem a US$ 63,36, maior valor em três semanas, atingir o pico de US$ 63,67 em Nova York.