Bagdá - Um grupo supostamente formado por iraquianos sunitas (entre 50 e 60 pessoas) atacou ontem o vilarejo de Nahrawan (habitado por xiitas e sunitas), nas proximidades da Capital Bagdá, causando a morte de ao menos 25 pessoas. A maioria trabalhava em uma fábrica de tijolos da região.
Este foi um dos mais sangrentos ataques após dez dias de conflitos sectários, iniciados no último dia 22 com a destruição da cúpula dourada de um dos mais importantes santuários xiitas, em Samarra, Norte do Iraque. Na semana passada, 47 pessoas foram mortas nas proximidades de Nahrawan após o governo e autoridades religiosas iraquianas terem feito pedidos pela união entre muçulmanos para pôr fim à violência. Desde o início da violência entre xiitas e sunitas, mais de 500 pessoas já morreram em diferentes regiões do país.
Os corpos das vítimas foram descobertos na manhã de ontem por militares americanos e iraquianos. Aparentemente, as mortes ocorreram durante a madrugada, e os agressores teriam utilizado pistolas e lança-granadas contra os civis, que responderam ao ataque para se defender. O grupo destruiu ainda a fábrica de tijolos e deixou bastante danificada a rede elétrica de várias lojas da redondeza.
A proibição do trânsito de veículos em Bagdá trouxe uma calma relativa às ruas da Capital ontem, dia oficial de os muçulmanos irem à mesquita. Mas nem por isso a violência sectária que tomou o Iraque há dez dias cessou.
Pressionado, o governo começa a lançar mão de recursos antes impensáveis para controlar a situação: ontem, parte da segurança na Capital migrou para as mãos de uma milícia xiita - algo que os EUA temem que, num efeito reverso, alimente as tensões entre os diferentes grupos etno-religiosos.