Meu amigo Marcelo Ferrazoli me perguntou se era normal o fato da mola de seu Gol com mais de 100 mil quilômetros ter-se quebrado. Sua pergunta me chamou a atenção pois diversas pessoas já me haviam perguntado coisas semelhantes e achei que seria interessante falar sobre o assunto.
Na verdade, normal não é. A mola de suspensão é um componente calculado e dimensionado para um uso específico, portanto com uma vida útil. Em seu projeto, é levada em conta a massa suspensa (a parte do veículo que fica sobre as molas, não apoiado no chão), assim como a finalidade do veículo (carga, passageiros, competição, etc.), potência do motor, tipo de freios, altura, centro de gravidade, distribuição de cargas em frenagem e aceleração, e outras características da suspensão. Os fabricantes recomendam que se troquem as molas a cada três trocas de amortecedores, ou uns 120 mil quilômetros. Coisa que quase ninguém faz, não é verdade? Mola, na prática, só se troca quando quebra ou sofre um acidente.
Mas isso é errado. As molas trabalham continuamente sob tensão, com movimentos torsionais variados, sob constantes variações de temperatura, portanto sujeitas à fadiga de material. Com isso, elas perdem suas características de projeto, como manutenção da carga e altura. O carro fica desigualmente rebaixado, desequilibrando o veículo. O sistema mola-amortecedor é dimensionado para trabalhar em conjunto, sendo um dependente do outro para o bom funcionamento da suspensão e da segurança e conforto do veículo. Quando se troca os amortecedores por novos e as molas ainda estejam dentro de sua vida útil, a suspensão readquire suas características de projeto. Mas assim como um carro com amortecedores ruins e molas boas fica desequilibrado, o inverso também ocorre com molas ruins e amortecedores bons.
O fato de uma mola chegar a quebrar pode significar que ela atingiu o fim de sua vida útil há um bom tempo, quando já deveria ter sido trocada e não foi. Logicamente, o mesmo vale para sua parceira, a mola do outro lado. Já imaginou se uma mola se quebra quando se está fazendo uma curva em velocidade? Acidente na certa.
Sempre se recomenda que se troque o par (dianteiro ou traseiro), nunca individualmente. Claro que em um acidente, com a necessidade de troca de uma mola com 20 mil quilômetros de uso, não precisa trocar o par. Mas se a quilometragem já for elevada, o ideal é trocar o par para igualar as cargas.
Em carros com suspensão com barras de torção ao invés de molas, os cuidados devem ser os mesmos com relação à substituição preventiva. Fique esperto!
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CORREIO TÉCNICO
Qual o período correto para troca de óleo do motor? Pela quilometragem ou pelo tempo de uso?
Cada fabricante especifica um período no manual do proprietário. Este período leva em conta um uso normal, em quilometragem rodada (pode ser a cada 10 mil ou 15 mil quilômetros). Em caso de uso pesado (transportando carga ou anda-e-pára na cidade), recomenda-se trocar com a metade da quilometragem estipulada. A troca por prazo (de seis a oito meses), mesmo sem atingir a quilometragem, é para quem roda pouco, pois o óleo se oxida com o tempo e perde as características lubrificantes.
João Ribeiro -Bauru (SP)
O fluido de freio deve ser substituído de quanto em quanto tempo?
As fábricas recomendam a troca de maneira diferente. Algumas de ano em ano, outras a cada três anos. O motivo é o mesmo, por segurança, pois o fluido se oxida com o tempo e sofre com as mudanças de temperatura. Também pode ficar sujo e vir a entupir o sistema de freio. De qualquer forma, consulte sempre o manual do fabricante e troque conforme o especificado.
Luiz Augusto - Bauru (SP)
Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).
*Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro.