Um cachorro da raça pit bull atacou o tenente aposentado da Polícia Militar Irani Antônio Soares, 62 anos, na manhã de ontem, na chácara Ana Rosa, localizada às margens da rodovia Bauru-Iacanga. O cão, de 3 anos, fugiu de uma propriedade vizinha e surpreendeu a vítima, que estava na casa de máquinas da piscina, onde controlava o motor. O ataque causou ferimentos de natureza gravíssima na vítima que, além de perder muito sangue, teve de ser submetida a cirurgias reparadoras.
Esta é a terceira vez que o pit bull saiu da chácara e invadiu a propriedade vizinha, diz a mulher do tenente aposentado, Nilva Guimarães Soares. “Ele já tentou atacar meus netos e eu tive que colocá-los no banheiro (para segurança). Outra vez, atacou o meu cachorro e quase o matou. Agora surpreendeu o meu marido”, enumera.
O mesmo cachorro, segundo ela, já matou gatos e animais da vizinhança. A mulher conta que não chegou a ver o marido. “Ele ligou para mim dizendo que estava morrendo na chácara, para onde ele vai quase todos os dias. Eu fiquei desesperada e liguei para o Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência). A atendente queria falar com ele para atender a solicitação. Ele não tinha condições de falar, estava todo machucado”, relata Nilva.
Ela lembra que ligou para a nora que, por sua vez, telefonou para a mãe dela, que tem uma propriedade próxima do local do ataque do cachorro. “Ela é que foi socorrer meu marido. Ele estava gravemente ferido. Sofreu ferimentos no rosto, nas duas pernas e nos dois braços”, conta.
Internado no Hospital Beneficência Portuguesa, Soares foi submetido a cirurgia e, posteriormente, foi encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva. “Com certeza ficará com muitas cicatrizes”, revela a esposa. Ela disse que a família deve procurar a Justiça para apurar a responsabilidade pelo ataque.
Defesa
O dono da chácara onde o cachorro pit bull estava, Nivaldo Souza, afirma que o animal é obediente. “Eu estou preocupado com a vida do Irani. O cachorro nunca atacou ninguém e é de propriedade de meu filho, Felipe Lopes”, disse ele ontem logo após o ataque.
Ele acha que alguém abriu o portão da chácara, o que deu oportunidade para que o pit bull saísse. “Ele deve ter ido atrás do cachorro deles, que sempre vêm aqui na cerca”, comenta Souza.
Ele frisa que, no momento da fuga do cão, ele não estava na chácara. “Só estava a caseira, que prendeu-o após o ataque. Ele é um animal vacinado. Quando a chácara é alugada, ele fica numa clínica veterinária. Vou fazer o que a Justiça determinar”, comenta.
O JC não tem o hábito de usar casos como esse ou fotos para fazer sensacionalismo. Mas o ataque do pitt bull ocorrido ontem serve de exemplo para os cuidados que se deve tomar quando se tem cães ferozes no quintal. Este não é o primeiro caso de ataque nesse tipo na cidade (leia mais abaixo), mas é preciso adotar todas as medidas de segurança necessárias para evitar que aconteçam outros.
Conforme lembra o comandante do Canil da Polícia Militar (PM), tenente Gustavo Cardoso Xavier, em matéria nesta página, uma lei estadual regula a condução e segurança necessárias para se manter cães considerados ferozes. Além do pit bull, estão na lista o american stan ford, shire terrier, rotweiller e mastin napolitano, que têm de ser mantidos com muita segurança.
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Cena do ataque
Quem entrou na chácara de Irani Soares ontem logo após o ataque do pit bull teve a impressão de que foi travada luta entre o homem e o animal feroz. Marcas e pegadas de sangue desde a casa das máquinas da piscina até o telefone no quarto da residência indicavam o trajeto da vítima para pedir socorro.
Manchas de sangue pelas paredes, vassoura e móveis sinalizavam que a vítima tentou se desvencilhar do cachorro, mas só conseguiu após muito custo.
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Caso de polícia
O ataque do pit bull ao tenente aposentado Irani Soares foi registrado no 2º Distrito Policial, pelo delegado Carlos Creppe Jr. “Registramos como omissão de guarda e cautela de animais e lesão corporal. Vamos instaurar inquérito para apurar a omissão e o responsável pelo cão será responsabilizado”, diz.
O comandante do Canil da Polícia Militar (PM), tenente Gustavo Cardoso Xavier, explicou que a Lei Estadual 11.531, de 2003, regula a condução e segurança necessárias para se manter cães considerados ferozes. “O pit bull, american stan ford, shire terrier, rotweiller e mastin napolitano têm que se mantidos confinados com muita segurança. Os acessos têm que conter grades ou telas que evitam a fuga do animal”, frisa.
No ano passado foram registrados vários casos de ataques de cachorros ferozes em Bauru. Em um deles, uma adolescente de 14 anos sofreu vários ferimentos pelo corpo depois de ser atacada na rua por dois cães da raça rotweiller. Em Bauru há, ainda, uma lei municipal que determina que cães ferozes só podem ser conduzidos na via pública se estiverem com focinheira e enforcador.
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Cirurgia
Irani Antônio Soares foi submetido a cirurgia ontem no Hospital da Beneficência Portuguesa. O quadro era tão grave que o procedimento foi realizado em conjunto por médicos cirurgiões plástico e ortopedistas, relata Luiz Carlos Mendes Júnior, administrador do hospital.
O cirurgião plástico Eudes Soares de Sá Nóbrega, que integrou a equipe, conta que foi preciso reconstruir parte do nariz, o lóbulo da orelha direita, a panturrilha da perna esquerda e os braços. “Além da pele, músculos e nervos dos braços ficaram dilacerados”, conta o médico.
O paciente precisou de transfusão porque perdeu muito sangue. Por conta dos ferimentos, Eudes ressalta que há risco do paciente ficar com seqüelas e com os movimentos dos braços comprometidos. Ele frisa que Soares ainda vai precisar ser submetido a outras cirurgias reparadoras.
Ontem à noite, Soares continuava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e seu quadro ainda inspirava cuidados. “São lesões que ainda podem causar complicações”, completa o médico, que disse que foi o caso mais grave de ataque de cão que já atendeu. “Estou muito triste”.
Ieda Rodrigues