Há alguns anos, quem morava em bairros periféricos de Bauru mal sabia o que era um computador, quanto mais Internet. Hoje, com apoio e doações de instituições como o Banco do Brasil e o Serviço Social da Indústria (Sesi), entidades assistenciais e associações de moradores conseguiram montar salas onde são realizados cursos básicos de informática e que oferecem até acesso à Internet.
Há dois anos, no Núcleo Fortunato Rocha Lima, o Projeto Girassol recebeu doação de nove computadores e iniciou projeto de inclusão digital com crianças e pais do bairro. No curso, que tem duração de um semestre, as crianças aprendem a usar os programas básicos de informática, como Word e Excel e têm acesso à Internet. De acordo com o diretor da entidade, José Silvio Purini, para se inscrever no programa, a criança precisa estar estudando pelo menos um período. “O projeto tem muita procura. Temos 176 crianças aguardando vaga”, comenta.
No núcleo Mary Dota, a associação de moradores ganhou seis computadores do Banco do Brasil e, como apoio do Sesi, que treinou os monitores, está oferecendo aulas de informática para crianças do bairro. “No início, acreditávamos que cerca de 60 crianças se inscreveriam, mas hoje estamos atendendo quase 200. Falta computador”, explica o coordenador social da associação, Vanderlei Antônio de Oliveira.
Ele conta que a associação precisa de pelo menos mais três computadores para atender à demanda, além de patrocínio para instalar a conexão com a Internet e poder oferecer mais este curso às crianças. “Precisamos de tudo aqui. Qualquer doação é bem-vinda”, afirma.
No Mary Dota, cada criança que participa do curso leva um quilo de alimento não-perecível, que posteriormente é doado para famílias necessitadas do próprio bairro ou de bairros vizinhos.
O escriturário do Banco do Brasil Douglas Henrique Romano ressalta que a iniciativa da empresa visa atender a população que não tem acesso à informática. “Nós doamos as máquinas e a entidade se compromete a fornecer o curso”, conta.
Os computadores doados são aqueles que foram utilizados pela instituição financeira. “A cada dois anos, todo o maquinário é renovado. Os computadores que serão substituídos passam por uma revisão e aqueles que apresentarem condições, são entregues à comunidade”, explica Romano. Além das máquinas, equipes do banco visitam os centros e fazem a assistência técnica e a troca de periféricos, como mouses e teclados, que estiverem quebrados. “Nossa meta é ampliar os centros já formados, realojando mais computadores”, conta o escriturário.
• Serviço
A associação do Mary Dota fica na rua Afonso Formetti, 2-40, telefone 3018-1131. O Projeto Girassol fica na rua João Prudente Sobrinho, S/N, telefone 3238-7383. As entidades interessadas em receber computadores do banco do Brasil devem procurar a gerência de logística da instituição financeira ou telefonar para (14) 3233-1233. As entidades devem apresentar um planejamento de atividades para o telecentro e oferecer a infra-estrutura para segurança. Na região, a lista de espera já conta com cerca de 50 instituições.