08 de julho de 2026
Geral

Mulheres avançam no mercado formal

Erika Pelegrino
| Tempo de leitura: 6 min

As mulheres estão ocupando a maior parte dos postos de trabalho no mercado formal, no Estado de São Paulo. Entre 2000 e 2002, o percentual de mulheres neste setor da economia cresceu quase o dobro do masculino: mulheres,9,1% e homens,4,7%. Os dados são da Fundação do Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) do governo de São Paulo, a partir da Relação Anual de Informações Sociais, do Ministério do Trabalho.

Dos 514.350 empregos gerados neste período, 54% foram ocupados por mulheres, o que elevou para 38,9% a participação feminina no total do mercado de trabalho formal. Isto equivale a 3,3 milhões de postos de trabalho ocupados por mulheres. Por homens são 5,2 milhões.

Dados do Seade apontam ainda que, na maioria dos municípios do Estado, houve aumento de emprego para ambos os sexos. Em Bauru, entretanto, juntamente com Registro e Campinas, o aumento de inserção de mulheres no mercado de trabalho foi maior do que o de homens.

Bauru, especificamente, apresentou, entre 2000 e 2002, um acréscimo considerável do número de mulheres no mercado formal de trabalho. Em 2000, o total de pessoas neste setor era de 179.489, sendo 120.312 homens e 59.177 mulheres. Em 2002 os números passaram para 191.630, 125.722 e 65.908 homens e mulheres, respectivamente. Os dados indicam um crescimento proporcional maior de mulheres do que de homens.

Enquanto, em dois anos, houve um acréscimo de 6.731 mulheres em empregos formais em Bauru, no mesmo período, 5.410 homens foram inseridos neste mesmo setor. Uma característica do Estado de São Paulo, mais especificamente da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), é as mulheres entrarem para o mercado formal de trabalho pelas portas do serviço público. Na média estadual, 23,1% das mulheres estão neste segmento, contra 10,1% dos homens.

Em alguns municípios, o percentual de mulheres no serviço público é ainda mais elevado. É o caso de Presidente Prudente e Registro, com 20%. Já Bauru não segue esta tendência. Apenas 8,9% das mulheres com vínculo formal de trabalho estão no serviço público. De acordo com análise do Ministério do Trabalho (MT), este comportamento está relacionado com o dinamismo do mercado formal de trabalho. Quanto mais dinâmico, maior a diversidade de vagas. O que torna pouco expressiva a importância do emprego público.

Serviço informal

O aumento de mulheres com vínculo formal de trabalho ainda não é suficiente para mudar a realidade de que elas estão na maioria em segmentos menos valorizados, como o setor informal e o emprego doméstico.

De acordo com pesquisa da Fundação Carlos Chagas, entre 1976 e 2002, 25 milhões de brasileiras entraram no mercado de trabalho. Entretanto, uma parcela significativa destas mulheres encontra-se em atividades informais, não remuneradas e no trabalho doméstico.

Em 1976, no Brasil, para cada 100 mulheres, apenas 28 trabalhavam. Em 2002, metade das brasileiras estava nos mercados formal e informal ou procurando emprego. Na População Economicamente Ativa (PEA), elas representavam, em 1976, 29%; em 2002, já eram 43%.

Driblando o desemprego

A Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes)vai iniciar um levantamento em parceria com a Instituição Toledo de Ensino (ITE) e a Faculdade de Serviço Social sobre as regiões mais vulneráveis de Bauru. Um dos itens será sobre mulheres e trabalho. “Vamos ver nestas regiões quantas mulheres estão desempregadas, quantas estão trabalhando, em que tipo de trabalho, qual a renda”, afirma a secretária Egli Muniz. “Nos próximos dois meses estaremos trabalhando neste diagnóstico”.

Independentemente de um levantamento oficial da situação da mulher no mercado formal e informal de trabalho em Bauru, é visível o trabalho feminino no setor informal desde catadoras de papel, camelôs até taxistas comissionadas.

Aos 26 anos, dois filhos pequenos, Crisley Borges Malta é uma destas muitas trabalhadoras de Bauru. Depois de um ano desempregada, ela aceitou um trabalho comissionado de taxista. Nunca foi seu sonho, mas como gosta de dirigir e não encontrava nenhum emprego com registro em carteira. Há um mês, Crisley atua como taxista.

As dificuldades não são poucas, desde o baixo salário até as “cantadas” e insinuações de passageiros que desconfiam de sua habilidade como motorista. Para as cantadas e os receios diante de uma mulher ao volante, Crisley se faz de desentendida. “Eu nem ligo, finjo que não estou entendendo”, conta.

A jovem encontrou mais solidariedade entre as mulheres. “A maioria das passageiras que chegam no ponto prefere fazer a corrida comigo”, conta. “Entre os homens também tem alguns que incentivam, acham legal”. Mas para as condições de trabalho, a falta de segurança, o baixo salário, Crisley não consegue fazer de conta que não liga.

“Ganho 25% de comissão e não tenho direito a nada”, conta. “Em caso de acidente, além de me responsabilizar pelo estrago no carro, tenho que me virar para pagar hospital, remédios”, afirma. Divorciada, ela deixa os dois filhos, um de 10 e um de 7 anos, com a avó para trabalhar das 8h às 18h.

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Transferência de renda

Outra parcela significativa das mulheres encontra-se à margem do mercado de trabalho. São aquelas que vivem na pobreza ou em extrema pobreza, sem escolaridade e sem oportunidade de trabalho. Em Bauru, sem um número oficial de quantas são estas mulheres, o atendimento a elas é feito através dos programas de transferência de renda do governo federal – Bolsa-Família e Bolsa-Escola – e do governo estadual – Renda Cidadã.

As cadastradas nestes programas recebem, do município, atendimento nos Centros de Referencia de Assistência Social (Cras), inaugurados no ano passado. Nos quatro Cras, embora o atendimento seja para ambos os sexos, praticamente 100% são mulheres.

De acordo com Adriana Putini, diretora de divisão dos Cras, a maioria das mulheres chefiam famílias e estão em condições de pobreza ou extrema pobreza. “O objetivo é dar um suporte melhor para elas”, afirma Putini. Hoje 1.050 pessoas são atendidas nos quatro Cras e em cinco entidades financiadas pela prefeitura, nos cursos de geração de renda.

Os cursos oferecidos são de artesanato e de panificação. De acordo com Adriana Ruiz, coordenadora do programa de geração de renda, nos cursos de artesanato, a freqüência é 100% de mulheres. “No de panificação tem um ou dois homens”, afirma.

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Salários ainda são baixos

Em geral, a média dos rendimentos das mulheres é inferior aos dos homens. No caso do Estado de São Paulo ,o salário médio recebido pelas mulheres formalmente empregadas, em 2002, era de R$ 1.033,00 e dos homens era de R$ 1.294,00.

A pesquisa do Seade trabalha com a hipótese de que quanto mais complexa a estrutura ocupacional, maior a diferença salarial entre homens e mulheres.

A região administrativa de Registro é a que apresenta a menor diferença de salários entre sexos. Homens ganham em média R$ 665,61 e mulheres, R$ 659,63. Porém é a menos dinâmica do Estado, e a que tem a menor remuneração do Estado.

Em Bauru, a diferença salarial entre homens e mulheres é de pouco mais de R$ 130,00. Homens ganham R$ 852,05 e mulheres, R$ 714,97.