Os recentes e consecutivos aumentos de preços do álcool e da gasolina estão tirando o sono e mudando os planos de muitos taxistas de Bauru. Profissionais consultados pela reportagem reclamam que o valor da bandeirada cobrada dos clientes, R$ 4,00, é o mesmo há cinco anos e que na última década o número de passageiros vem diminuindo. No dia 1 de janeiro deste ano, o litro do álcool em Bauru custava R$ 1,59, ou 25% menos que os atuais R$ 1,99. No mesmo período, a gasolina passou de R$ 2,49 para R$ 2,65 (alta de 6,4%) - preço já praticado por vários postos desde o final da semana passada.
Os reajustes dos combustíveis aumentam ainda mais as despesas de quem trabalha neste ramo. Contudo, na opinião dos taxistas consultados e do próprio Sindicato dos Motoristas Autônomos, aumentar o preço da bandeirada não vai ajudar.
“Se a gente aumentar (o preço) só vai piorar, porque vai afastar ainda mais os clientes. A nossa categoria está numa situação muito difícil, ninguém sabe mais o que fazer”, lamenta Paulo (que pediu para não ter o sobrenome divulgado por ter outro emprego), que trabalha em um ponto de táxi no Centro da cidade.
Segundo avaliação dele e dos colegas, desde 1993 o número de passageiros vem caindo cerca de 3% ao ano. “A gente atribui isso à queda do poder aquisitivo da população em geral. Mas as pessoas não percebem que, em muitos casos, é mais vantajoso andar de táxi do que de ônibus. Se você for fazer uma corrida com mais duas pessoas, por exemplo, sai mais barato dividir o preço do táxi (entre os três passageiros) do que pegar ônibus. Sem falar no conforto e na rapidez”, complementa Paulo.
No ponto de táxi do Terminal Rodoviário, as reclamações são as mesmas. O taxista Marcílio João, 56 anos, diz que as pessoas que dirigem o seu próprio carro - como ele - conseguem ganhar até R$ 1.500,00 por mês. Quem trabalha para o dono do veículo ganha, em média, R$ 600,00 mensais.
“O problema é que, com todos esses aumentos de preços dos combustíveis, a gente gasta de R$ 400,00 a R$ 450,00 por mês para abastecer. Nos últimos dez anos, a minha renda caiu cerca de 50%. Subir a bandeirada não vai adiantar. Talvez aliviasse um pouco se aumentasse o preço da fração (cobrada a cada 156 metros percorridos), que hoje é de R$ 0,20. Mas qualquer mudança precisa ser muito bem estudada”, diz João.
Bandeirada
O presidente do sindicato da categoria, Genildo Parra, afirma estar desanimado com a atual situação. Ele também é contra o aumento da bandeirada e diz estar cansado de tentar implantar, sem sucesso, alternativas para aumentar a renda dos trabalhadores.
“Eu não vou enviar à Câmara nenhum projeto solicitando aumento da bandeirada porque isso só iria piorar a situação. Meu mandato termina no dia 10 de abril, e se o próximo presidente quiser fazer isso, ele que converse com os trabalhadores. Ou então, os taxistas podem formar uma comissão independente para fazer esse pedido. Mas tudo depende da aprovação da Câmara e da aprovação do prefeito”, diz Parra.
Seguindo ele, as tentativas de usar espaços nos carros dos taxistas para divulgar propagandas de empresas, o que geraria uma fonte extra de renda para os trabalhadores, estão sendo barradas pela fiscalização de trânsito.
“A publicidade nos táxis é uma alternativa, e existe uma lei municipal que autoriza isso, assim como tem publicidade em ônibus. Mas estamos tendo problemas com a fiscalização de trânsito. Já teve até taxista que foi multado. Então, fica difícil. Em Bauru não se fala em inovação nesse setor”, desabafa.