São Paulo - As autoridades encarregadas de investigar o papel da polícia britânica na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, que foi assassinado por engano por policiais que o confundiram com um terrorista, não puderam ter acesso a arquivos fundamentais, de acordo com o jornal britânico “The Sunday Times’’.
O diário afirma que “fontes seguras’’ garantem que a polícia metropolitana de Londres rejeitou repetidos requerimentos da Comissão Policial Independente de Queixas (IPCC em inglês) para ter acesso a centenas de páginas de documentos internos.
Os documentos se referem à avaliação interna da polícia metropolitana sobre a fracassada operação antiterrorista que provocou a morte de Jean Charles de Menezes em 22 de julho do ano passado. A polícia deu oito tiros - sete na cabeça - no eletricista brasileiro de 27 anos na estação de metrô de Stockwell, em Londres, um dia depois da suposta tentativa de repetição dos atentados suicidas de 7 de julho, que deixaram 56 mortos.
A comissão investiga o caso após a reclamação da família do brasileiro de que o chefe da polícia, Ian Blair, deu declarações falsas ou errôneas. O “Sunday Times” afirma que os papéis incluem discussões sobre o valor da indenização que a família do brasileiro deveria receber, sobre se Ian Blair ou a Scotland Yard poderiam enfrentar ações civis por danos e sobre as possíveis acusações criminais contra os oficiais.
Segundo o jornal, a advogada da família, Harriet Wistrich, afirmou que a recusa da polícia em mostrar os documentos “dá a impressão de que tem algo a esconder’’. A família de Jean Charles acusa a Scotland Yard de tentar tapar seus erros, mas a polícia londrina considera, segundo o jornal, que não tem a obrigação de declarar os documentos.
Os investigadores da IPCC entregaram em janeiro um relatório sobre as averiguações referentes à morte do brasileiro à Promotoria britânica, que deve decidir se algum dos oficiais envolvidos será processado.