08 de julho de 2026
Bairros

DAE entrega estação elevatória de esgoto e quer construir mais duas

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) entregou oficialmente ontem a estação elevatória de esgoto do Jardim Vitória, a quarta da cidade, e anunciou que deverá construir mais duas – uma no Núcleo Gasparini e outra no Distrito Industrial 3. A estação elevatória do Jardim Vitória, que entrou em operação no final de fevereiro, tem a função de bombear resíduos produzidos no Jardim Ouro Verde, Jardim Vitória, Granja Cecília e parte do Jardim Ferraz para a bacia do rio Bauru, evitando a poluição do rio Batalha.

Futuramente, o DAE vai tratar o esgoto lançado no rio Bauru. A estação elevatória custou R$ 226 mil, dos quais R$ 133 mil saíram dos cofres do DAE e R$ 93 mil do Fundo Estadual dos Recursos Hídricos (Fehidro). O presidente da autarquia, José Clemente Rezende, ressalta que, com a estação elevatória do Jardim Vitória em funcionamento, a bacia do rio Batalha ficará livre de um dos pontos de lançamento de esgoto. “Na bacia do Batalha tínhamos dois pontos de lançamento de esgoto. Um deles é no Jardim Vitória, que está eliminado. O outro ponto é no Núcleo Gasparini”, explica.

De acordo com a engenheira Nucimar Paes, da Divisão de Planejamento do DAE, a capacidade de recalque de esgoto da estação elevatória do Jardim Vitória é de 50 litros por segundo. Com a potência de uma bomba de 40 cavalos e mais uma de reserva, o esgoto canalizado é bombeado para o terreno acima para vencer 40 metros de altura e percorrer uma distância de 900 metros, até o ponto onde se precipita naturalmente, por gravidade, na rede de lançamento de esgoto direcionada à bacia de ribeirão Bauru. O mecanismo automatizado, opera 24 horas, sem interrupção.

Para a eliminação do lançamento de esgoto no Gasparini, o DAE ainda não tem data definida. “Temos um projeto de construir uma estação elevatória de esgoto ou uma estação de tratamento para resolver o problema de lançamento na bacia do Batalha”, diz Nucimar.

Rezende ressaltou que a obra é de fundamental importância para Bauru porque evita a poluição e problemas de saúde. “O lançamento de esgoto nos rios e córregos traz problemas de saúde para a população, causa poluição dos rios e a contaminação dos nossos mananciais de abastecimentos de água potável”, enumera.

A estação elevatória do Jardim Vitória vai atender uma população em torno de 10 a 15 mil habitantes. “Cada estação dessa atende 10 a 15 mil habitantes. Ela é pontual e não vai ser feita em toda a cidade. Uma outra vai ser construída no Distrito Industrial 3. Já protocolamos, a semana passada, um projeto no Fehidro para conseguir uma parcela de recurso”, adianta.

No Gasparini, de acordo com Rezende, há a opção de ao invés de construir a estação elevatória, construir uma estação de tratamento de esgoto. “Isso porque a manutenção de uma estação elevatória lá ficaria muito cara. Talvez compense ter a estação de tratamento. Lá a estação, tanto uma quanto a outra, vai atender em torno de 30 mil habitantes naquela região. Com as quatro, estamos atendendo em torno de 50 a 60 mil habitantes”, completa.

Ele explica que o esgoto de outras regiões de Bauru está sendo canalizando através dos interceptores. “Estamos construindo (os interceptores) e com isso vamos eliminando trechos do rio Bauru onde ele está sendo poluído. Vários trechos dele já foram despoluídos com a construção de interceptores de esgoto. Somente no último ano nós construímos dez quilômetros de interceptores de esgoto, o que representa 50% do total feito nos últimos 12 anos”, frisa o presidente do DAE.

Mas apesar da autarquia estar avançando na canalização do esgoto, ainda está longe de tratar os detritos, projeto orçado em quase R$ 70 milhões. Está em tramitação, na Câmara Municipal, projeto de lei que cria o fundo do esgoto, sistema de cobrança de taxa dos usuários de água para custear a obra.

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Primeiro passo

Para o vereador e ambientalista Rodrigo Agostinho, a instalação da estação elevatória de esgoto do Jardim Vitória é o primeiro passo para a despoluição do rio Batalha. “Esse esgoto cai no córrego Laranjeiras, que deságua no rio Batalha, que recebe esgoto dessa região - Jardim Ouro Verde, Jardim Vitória e Jardim Solange – e também do Parque Real e da região do Núcleo Gasparini, Pousada 1 e 2, Vila São Paulo e Jardim Helena”, afirma.

Agostinho frisa que a estação não é de tratamento de esgoto. “É uma estação de bombeamento e não de tratamento. Os resíduos saem daqui e são jogados na bacia do rio Bauru, provavelmente no córrego Água do Sobrado, até que tenha a estação de tratamento de esgoto. É um passo importante na questão ambiental”, completa.