11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Aposentadas sustentam mais de 300 mil famílias no Estado de S. Paulo

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Já faz tempo que as mulheres deixaram as prendas do lar e passaram a fazer parte do desenvolvimento do País no chão das fábricas, atrás dos balcões e nas mesas das empresas. Aposentadas, elas enfrentam uma nova realidade: só o benefício não garante a tranqüilidade financeira. Muitas ainda possuem família para sustentar e a aposentadoria não cobre todos os gastos. Então, a saída é uma só: voltar ao mercado de trabalho.

O número de aposentadas que chefiam famílias em São Paulo é grande. São 361 mil lares tendo aposentadas como provedoras, segundo o estudo “Mulher e Trabalho”, realizado pela Secretaria de Economia e Planejamento do Estado e pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Para explicar esse aumento, a professora de história da Universidade do Sagrado Coração (USC), Nair Leite Ribeiro Nasrala, volta até as décadas de 50 e 60. “Foi quando as mulheres iniciaram o processo de ocupação do mercado de trabalho, junto da chefia da família”, observa.

Ao mesmo tempo, ocorrem processos de mudanças culturais, como o advento da pílula anticoncepcional e a lei do divórcio. “A pílula dava à mulher a possibilidade de escolher o número de filhos, e o divórcio possibilitou o surgimento de novas formas de organização familiar.” No início, as mulheres desempenhavam funções parecidas com as que tinham em casa. “As profissões eram femininas: enfermeira, professora, assistente social”, aponta Nasrala.

“As mulheres promovem o sustento da família muito antes da aposentadoria. E quando se aposentam, o benefício é tão ínfimo, que precisam voltar ao mercado de trabalho. Tanto para oferecer aos filhos mais estudos, quanto para sustentar toda a família que possui como único rendimento fixo, seu pagamento”, avalia a professora.

Experiência valorizada

Além disso, a maioria das mulheres desempenha profissões em que a experiência é valorizada. “Muitas continuam na profissão depois de aposentadas, pois estudaram e se atualizaram. Enquanto seus maridos, por não se manter atualizados, não conseguem emprego. Então, elas passam a ser a única fonte de renda da família”, explica a professora.

A diferença de classe social também leva a diferentes motivos para continuar no trabalho depois da aposentadoria. Enquanto quem tem posição social mais privilegiada trabalha para proporcionar aos filhos instrução e também por realização pessoal, as aposentadas de baixa renda trabalham para manter o sustento da família. “Essa é a maioria dos casos. E a situação é tão acentuada que muitas vezes a aposentada é a única fonte de renda fixa da casa”, avalia Nasrala.

Para a professora, apesar de ser uma situação nacional, o fato tende a ser mais acentuado em Bauru. “A cidade, por não ter crescido na indústria, tem um contigente maior de aposentados que mantêm a família. São aposentados das ferrovias, agências bancárias. Você teve uma prosperidade muito grande no passado e agora, com o aumento do desemprego, eles sustentam a família”, comenta a professora.