09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Mulheres precisam trabalhar

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Maria Madalena Braz de Oliveira trabalha desde os 12 anos. Rosali Dian, desde os 15. Enquanto Dian sempre teve registro em carteira e se aposentou, Oliveira sempre trabalhou na informalidade e recebe a pensão pela morte do marido. Mesmo com os benefícios, as duas não puderam parar de trabalhar e são as únicas fontes de renda em suas famílias.

Apesar do marido sempre ter trabalhado, Oliveira quem mantinha as roupas, calçados e material escolar de todos os 10 filhos do casal. “Casei num sábado, na segunda-feira fui trabalhar”, conta. Seu marido faleceu há cinco meses e deixou uma pensão de R$ 415,00 para ela. Apesar da maioria dos filhos ter constituído a própria família, ela ainda tem que ajudar no sustento de alguns. Dois ainda moram com ela, mas apenas um possui trabalho fixo. O outro está desempregado e depende dela. Além disso, ela auxilia uma filha e dois dos 14 netos.

Para dar conta de tudo isso, ela, que só estudou até a 2ª série, organiza viagens de comerciantes a São Paulo, já que só um dos filhos ajuda nas despesas. “Não posso ver faltar as coisas em casa. Fico muito mal”, diz. Mas nesse início de ano, as coisas estão difíceis.

O número de viagens caiu muito, e as contas estão acumulando. “Geralmente eu fazia uma viagem, com o dinheiro fazia o supermercado e pagava alguma conta. Mas em fevereiro fiz só uma viagem”, lamenta. Aos 64 anos diz que, mesmo que consiga a posentadoria, não vai deixar de organizar viagens.

Executiva de contas de uma agência de propaganda, Rosali Dian já recebe aposentadoria há oito anos, mas para proporcionar a instrução dos três filhos, continua trabalhando. Muito mais que necessidade financeira, para Dian trabalhar é também um estímulo. “Mesmo depois que meus filhos ficarem independentes, não pretendo parar”, revela.

Dian trabalhava em dois empregos e ainda cuidava da casa. “Sempre tive a ajuda de empregada, mas dava conta de tudo”, lembra. Além do trabalho no Banco do Brasil, onde se aposentou, ela mantinha o próprio negócio em Bauru e cidades da região. Após vender as lojas, começou uma nova carreira na agência de propaganda.

“Não tenho perfil de ficar em casa. Tenho todo um campo para crescer”, planeja. A aposentadoria corresponde a 70% do seu orçamento. “Daria para viver, mas não para alcançar meu objetivo, que é ver meus filhos formados”, diz.