São Paulo - As novas denúncias sobre o suposto mensalão, publicadas na revista “Veja” desta semana, gerou pedidos de prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios. Entre as acusações está o envolvimento de 51 dos 81 deputados do PMDB com o esquema. Além disso, a revista também acusa o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, de receber dinheiro para elogiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-prefeita Marta Suplicy em seu programa de TV.
Por último, a revista apontou para a existência de mais uma fonte de recursos para o caixa dois dos partidos aliados do governo: a usina de Itaipu. O senador Romeu Tuma (PFL-SP) foi um dos defensores da prorrogação da CPI. “A gente não pode enfraquecer a possibilidade de aprofundar as investigações. Se já há dados concretos que provam falcatruas em determinadas apurações, que sejam encaminhados ao Ministério Público para abertura de inquéritos relativos a esses procedimentos. E que se dê prorrogação para que se apure o resto que está sob dúvida”, disse.
Tuma sugeriu a criação de uma “frente de senadores” que teria como missão a defesa do relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). “Eu vou fazer essa proposta para que os senadores não permitam que ele seja maculado na elaboração do seu relatório. Ele não pode, sob pressão, deixar de citar um nome ou citar outro.”
O sub-relator de fundos de pensão da CPI dos Correios, Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), também defendeu a prorrogação dos trabalhos da comissão por por mais um mês e meio. O prazo maior permitiria, de acordo com ACM Neto, a possibilidade de ampliação da lista de mensaleiros e aprofundar as investigações sobre corretoras e fundos de pensão.
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, afirmou ontem que as novas denúncias sobre o suposto mensalão mostram que o País vive “um lamaçal inesgotável”. Ele disse que a revista “relaciona novos e gravíssimos escândalos envolvendo agentes políticos, o que demonstra que, quando se pensa que a crise chegou ao fim, surgem mais e mais denúncias”. “Há gravações reproduzidas pela revista registrando os diálogos entre os operadores daquelas falcatruas”, afirmou Busato sugerindo que todos esses fatos precisam ser examinados pelas CPIs e pelos inquéritos em andamento.
Sereno
A sub-relatoria de fundos de pensão da CPI dos Correios informou que o depoimento de Marcelo Sereno, ex-secretário de Comunicação do PT, foi adiado de hoje para sexta-feira. Ex-assessor da Casa Civil, Sereno é apontado como responsável por indicações na composição das direções de fundos de pensão. A sub-relatoria informou que Sereno não foi encontrado pela Polícia Federal para receber a convocação.
Os parlamentares querem detalhar a relação entre Sereno e as corretoras suspeitas de provocarem prejuízos em operações com recursos de fundos de pensão patrocinados por empresas estatais para supostamente, beneficiar partidos da base do governo.