10 de julho de 2026
Internacional

Impasse político se amplia em meio à violência no Iraque; ataques matam 16

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Bagdá - Enquanto ataques sectários seguem deixando mortos no Iraque, o governo em Bagdá sofreu ontem mais um revés que ilustra a dimensão de suas divergências internas. Após anunciar a primeira sessão do novo Parlamento para o próximo dia 12, o presidente, Jalal Talabani, teve a proposta derrubada por um de seus vices. O veto pode atrasar ainda mais a formação de um novo gabinete, o que, por sua vez, prejudicaria as tentativas de estabilizar a precária situação de segurança do país.

Os iraquianos elegeram um novo Parlamento em 15 de dezembro, mas desde então não conseguiram chegar a um acordo para formar um governo de coalizão. Embora o bloco de religiosos árabe-xiitas tenha vencido a votação, ele não tem maioria absoluta e precisa buscar uma aliança com uma das duas minorias do país, os árabes sunitas ou os iraquianos de etnia curda. Mas os dois grupos rechaçam a indicação xiita para manter no cargo o atual premiê, Ibrahim al Jaafari.

Ontem, na tentativa de forçar uma definição, Talabani, que é curdo, anunciou que convocaria o Parlamento para se reunir no próximo domingo. Com isso passaria a correr um prazo de 60 dias para os legisladores elegerem um presidente para a casa e aprovarem a nomeação de um premiê. Mas o presidente não obteve a aprovação de um de seus dois vices, o xiita Adil Abdul-Mahdi, que em uma prévia perdera a nomeação como premiê para Jaafari.

O bloco xiita, por sua vez, não abre mão da indicação do atual premiê, imergindo o país em um impasse político que pode alimentar a onda de violência etno-religiosa detonada no último dia 22, com um ataque contra uma importante mesquita xiita em Samarra. Ontem, mais de 16 pessoas morreram em explosões de carros-bomba no país, e um general sunita encarregado de Bagdá foi morto por um franco-atirador. A maioria dos ataques visou xiitas que integram as forças de segurança, os quais os sunitas acusam de fomentar a violência sectária.