Brasília - A oposição conseguiu as assinaturas necessárias para prorrogar os trabalhos da CPI dos Bingos. São necessárias 27 assinaturas para garantir a continuidade dos trabalhos. A prorrogação será feita por 60 dias. Com isso, a CPI dos Bingos continuará em funcionamento até o dia 24 de junho. Os trabalhos, que já tinham sido prorrogados uma vez, deveriam acabar no dia 25 de abril.
O presidente da CPI dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB), defendeu ontem a prorrogação dos trabalhos da comissão. Apelidada de “CPI do Fim do Mundo”, a comissão parlamentar que investiga a relação entre as casas de jogo e o crime organizado se notabilizou dentro do noticiário político por abrir várias linhas de investigação, todas elas de uma forma ou de outra constrangedoras para o governo.
Instalada no final de junho para investigar o primeiro escândalo de importância no governo Lula - o caso Waldomiro Diniz-, foi prorrogada de outubro de 2005 para abril de 2006, tal a extensão das áreas a serem investigadas, algumas delas, sem ligação aparente com o tema “casas de jogo”. O caso Waldomiro Diniz ainda rende manchetes de jornal desfavoráveis para o Planalto e os partidos da base aliada. Diniz, que foi assessor da Casa Civil, é acusado de ter intermediado a cobrança de propina para a renovação do contrato da multinacional GTech com a Caixa Econômica Federal.
Ele deixou a Casa Civil depois da divulgação de uma fita em que ele aparecia negociando propina e pedindo recursos para campanhas do PT com o empresário de jogos Carlinhos Cachoeira. A GTech é a empresa multinacional que detém o monopólio da exploração das loterias da CEF.
Celso e Toninho
Os parlamentares dessa CPI também já convocaram testemunhas para depor sobre o caso Celso Daniel, o prefeito de Santo André, vinculado ao PT, assassinado em 2002, e também sobre o assassinato do prefeito de Campinas, também petista, Antônio da Costa Santos (o Toninho do PT), em 2001.
Também entrou no escopo das investigações o chamado “caso Cuba”, a suposta doação de recursos desse País para a campanha do PT de 2002, além da convocação do presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, para esclarecer o pagamento de uma dívida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seu partido. Em princípio, nenhum desses quatro casos tinha ligação com a finalidade oficial da CPI dos Bingos: “investigar e apurar a utilização das casas de bingo para a prática de crimes de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, bem como a relação dessas casas e das empresas concessionárias de apostas com o crime organizado”.
A comissão abriu uma nova linha de investigação, a partir das denúncias do ex-assessor e advogado Rogério Buratti, que trabalhou para o ministro Antônio Palocci quando prefeito de Ribeirão Preto nos anos 90. Buratti acusou um suposto esquema de pagamento de propinas à prefeitura por empresários da cidade para formação de um caixa dois do PT. Como justificativa para a atuação, o presidente da comissão, senador Efraim Morais (PFL-PB), afirma que a comissão deve provar com o avanço das investigações que há ligação das denúncias de corrupção em Ribeirão Preto com os bingos.
Correios
Os integrantes da CPI dos Correios também defendem a prorrogação dos trabalhos da comissão. Os pedidos aumentaram após a publicação de novas denúncias do suposto “mensalão” na edição desta semana da revista “Veja”. Entre as acusações está o envolvimento de 51 dos 81 deputados do PMDB com o esquema.
Além disso, a revista também acusa o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, de receber dinheiro para elogiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ex-prefeita Marta Suplicy em seu programa de TV. Por último, a revista apontou para a existência de mais uma fonte de recursos para o caixa dois dos partidos aliados do governo: a usina de Itaipu.
O senador Almeida Lima (PDT-SE) defendeu ontem a prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios para apurar as novas denúncias de corrupção.