09 de julho de 2026
Regional

Cidades atualizam IPTU por satélite

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

As prefeituras da região têm procurado cada vez mais a praticidade da tecnologia para atualizar a planta geográfica dos municípios. Com fotos de satélite, as administrações municipais estão atualizando a cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

As cidades de Pompéia, Garça, Bariri, Pirajuí, Tupã, Birigui, Porto Feliz e Tatuí são algumas que pretendem ou já adotaram a tecnologia.

A atualização do cadastro de imóveis é feita por fotos de satélite do Centro de Tecnologia em Geoprocessamento (Ctgeo), do Centro Tecnológico da Fundação Paulista (Cetec) de Lins (100 quilômetros de Bauru).

Com as imagens, as plantas geográficas são reavaliadas e atualizadas a s áreas construídas dos imóveis para efeito de cobrança de IPTU.

O Ctgeo foi inaugurado há cerca de dois anos e vem se tornando uma referência na região por atuar na área de conversão de dados e desenvolvimento de informações geográficas com base em fotos captadas por satélites. As imagens são feitas pelo satélite americano QuickBird, representado no Brasil pela empresa Intersat, de São José dos Campos. “Hoje, no mundo, para uso civil este satélite é o que tem de melhor em resolução (qualidade da imagem)”, comenta Silvio Eduardo Doretto, gerente de negócios do Cetec.

Através da atualização da planta geográfica, feita pelo Ctgeo, as cidades passam a ter uma base cartográfica com dados recentes dos imóveis. “A gente implanta o sistema de informações geográficas, que é um sistema para gerenciamento e planejamento dentro da prefeitura. Ela (prefeitura) vai poder atuar em todas as áreas como Saúde e Educação, por exemplo. Atualmente, as prefeituras estão utilizando o serviço para recadastramento imobiliário na parte de planejamento. Nosso próximo passo é implantar em outras secretarias também”, explica Doretto.

Imagem

Ele ressalta que as fotos de satélite apontam as residências que tiveram aumento de área construída e que não foram atualizadas na prefeitura. “A imagem direciona para nós os imóveis que estão irregulares. Aí, nós vamos lá e medimos com a trena. A vantagem é que não é preciso visitar todas as casas. A imagem direciona quais os imóveis que devem ser visitados pela equipe de campo”, ressalta.

A equipe de campo, segundo Doretto, é formada por profissionais contratados na própria cidade onde está sendo realizado o recadastramento e os técnicos do Ctgeo fornecem o treinamento. “Quando os profissionais voltam do campo, nós jogamos (os dados) em cima da imagem de satélite de novo”, explica Doretto. Ele destaca que o mapa geográfico fica atualizado com exatidão.

Doretto explica que o retorno em benefícios para a prefeitura é de curto prazo. “O custo benefício para uma cidade compensa porque tem o retorno imediato. Nós fazemos o trabalho em um ano e a cidade já cobra o IPTU no próximo ano e o retorno já vem. O município só vai pagar no primeiro ano e nos outros anos ele vai continuar a ter todos os retornos que teve no primeiro ano. O valor (do contrato) depende do tamanho da cidade e da quantidade de imóveis”, comenta.

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Pirajuí

Pirajuí - O prefeito de Pirajuí, Jardel Araújo (PV), também adotou o serviço do Ctgeo que iniciou em fevereiro o recadastramento dos imóveis na cidade. Jardel aprova o custo benefício. “O serviço compensa. Ele custou até mais barato porque, como nós tínhamos feito o Plano Diretor (com a Cetec), usamos a mesma foto do satélite que foi usada para fazer o Plano. Ele ficou em R$ 90 mil, parcelados em 10 vezes”, conta Araújo. O prefeito explica que, no ano passado, o município arrecadou cerca de R$ 500 mil com o IPTU.

Jardel acredita que outros setores da administração poderão se beneficiar com o recadastramento dos imóveis. “Não vai ficar só na atualização (dos imóveis), porque o banco de dados dá oportunidade para a prefeitura direcionar alguns trabalhos para outros setores, que vai ser importante.”

Ele explica que, através do sistema de mapeamento digital, será possível prever rapidamente quanto o Executivo vai utilizar em materiais para pavimentar as ruas da cidade.

Segundo Sílvio Eduardo Doretto, gerente de negócios do Cetec, a entrega completa do sistema de informações geográficas pode variar em torno de sete a oito meses, dependendo das condições climáticas. Em dias chuvosos, a presença de nuvens prejudica a captura de imagens pelo satélite. Doretto ressalta que são cerca de 400 funcionários participando das atividades do Ctgeo, sendo que 80% deles são alunos estagiários do Centro Universitário de Lins (UniLins).