09 de julho de 2026
Nacional

MST invade 5 fazendas no Pontal

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiu ontem cinco fazendas diferentes municípios no Pontal do Paranapanema (extremo oeste de SP). Segundo a organização, 600 pessoas (a maioria mulheres) foram mobilizadas para as ações, que fazem parte da chamada Jornada Nacional de Luta, e têm, entre outros objetivos, cobrar agilidade na reforma agrária e celebrar o Dia Internacional da Mulher.

Diolinda Alves de Souza, mulher do líder José Rainha Jr., liderou a invasão na fazenda Santa Carmem, em Mirante do Paranapanema, e participou da articulação das demais (fazenda São Camilo, em Presidente Venceslau; Beira-Rio, em Teodoro Sampaio; Nossa Sra. das Graças, em Caiuá; e Fraterna, em Santo Anastácio). “Nós, mulheres, cumprimos nosso objetivo de ocupar o latifúndio. É dessa forma, fazendo luta, que a mulher vai conquistando seu espaço”, disse Diolinda.

Principal líder do MST na região, Rainha não compareceu às áreas: ele foi proibido pela direção do MST de participar de ações e de falar em nome do movimento. O Pontal foi palco de outros três protestos de sem-terra anteontem. Em Presidente Epitácio, cerca de 400 manifestantes ligados a movimentos dissidentes do MST, coordenados pela Contag, fizeram uma marcha na rodovia Raposo Tavares (SP-270).

Na rodovia Arlindo Bétio (SP-613), em Rosana, os sem-terra fizeram um bloqueio parcial das pistas no período da manhã. Já em Presidente Prudente, 300 manifestantes acamparam em frente do prédio do Instituto de Terras do Estado de São Paulo. Quatro integrantes do MST, três mulheres e um homem, foram presos preventivamente ontem em Rancharia, no Pontal.

Confrontos

Uma ação policial para reintegração de posse resultou na prisão de 96 pessoas ligadas ao MST na madrugada de ontem, na fazenda Faquinha, em Cabrobó (a 531 quilômetros de Recife). Foi a segunda tentativa de reintegração de posse da propriedade, que foi invadida por cerca de 200 pessoas no domingo.

Jaime Amorim, líder do MST em Pernambuco, disse que o trabalho da polícia foi “truculento”, resultando em pelo menos dez feridos. O capitão da PM Flávio Bione nega a acusação. Na manhã de ontem, cerca de 200 famílias do MST invadiram o engenho Piarauí, em Escada (PE). Com esta, já são 20 propriedades tomadas em Pernambuco pelo MST desde sábado.

Um grupo de cerca de 3 mil agricultores que realizou ontem uma caminhada do Parque da Harmonia até a PUC-RS, em Porto Alegre, entrou em choque com a Brigada Militar ao tentar o ingresso forçado no estacionamento da universidade, que dá acesso ao prédio 40, onde ocorre a Conferência Mundial Sobre Reforma Agrária. Não houve feridos.

Além dos cerca de mil que saíram do parque, juntaram-se a eles, no meio do caminho, os 2 mil (em sua maioria mulheres) que invadiram e danificaram, pela manhã, o horto florestal da Aracruz em Barra do Ribeiro. Os manifestantes entraram em confronto com a Brigada Militar e forçaram a abertura dos portões do estacionamento na base do empurrão até que conseguiram entrar, derrubando grades. Há dois grandes portões colocados em frente à PUC.

Um deles foi aberto à força pelos manifestantes, que não chegaram a entrar no prédio. No estacionamento, alguns deles ocuparam as cabines onde ficam os cobradores. Depois do incidente, policiais militares permaneceram até a tarde em frente ao prédio 40 da PUC, com armas de efeito moral, e alguns manifestantes com faixas de protestos e galhos de árvores.