O show de hoje em Bauru apresenta o quarto disco de Marcelo Camelo (Marcelo Camelo (guitarra, baixo e voz), Bruno Medina (teclados), Rodrigo Amarante (guitarra e voz) e Rodrigo Barba (bateria), batizado simplesmente de “4”. Em material de divulgação para a imprensa, na época do lançamento, a banda defendia que a intensidade dos arranjos das novas canções estaria nas lacunas. “É possível dizer que no ‘Bloco do Eu Sozinho’ (segundo disco), as músicas se submetiam aos arranjos, e que no ‘Ventura’, os arranjos se submetiam às músicas; no ‘4’ as músicas e os arranjos são uma coisa só, não há distinção”.
O disco foi recebido com muita expectativa e certa surpresa pelos arranjos mais delicados e pelo clima intimista da maioria das canções. A expectativa dos fãs de Bauru e região que ainda não assistiram à nova turnê deve estar nas mesmas proporções – sabendo como o som dos Hermanos ganha intensidade no palco.
Nas últimas apresentações, a banda tem tocado de oito a dez canções de “4”, incluindo “Dois Barcos”, “Primeiro Andar”, “O Vento”, “Os Pássaros”, “Fez-se Mar”, “Morena” e “Paquetá”. Não ficam de fora “Além do que se Vê”, “Pierrot”, “Casa Pré-Fabricada”, “Cara Estranho”, “A Flor”, “O Vencedor”, “Sentimental” e “Todo Carnaval Tem Seu Fim”. Leia a seguir os principais trechos da entrevista dada por e-mail pelo tecladista Bruno Medina ao JC Cultura.
JC Cultura - Como está o repertório da nova turnê? Oito ou nove músicas do disco “4” têm entrado sempre nos shows. A lista das músicas é elaborada com que pensamento: agradar os fãs ou dar uma cara diferente ao show?
Bruno - Uma mistura das duas coisas. Normalmente pensamos nos fãs e em nós também, porque, afinal de contas, o show também tem que ser interessante para nós. O fã do Los Hermanos é muito ligado em detalhes, acho que ele quer ouvir as músicas novas principalmente, porque é comum que já tenha ido a outros shows na turnê passada. O show tem tempo suficiente para que tanto o repertório antigo quanto o novo estejam bem representados.
JC Cultura – O “4” foi um disco elogiado pela crítica e pelos fãs mas também recebido com certo espanto por conta do clima intimista, muito diferente da maioria das canções que a banda havia feito até então. Foi surpresa a reação que o disco provocou?
Bruno – Na verdade, nunca tivemos a certeza de nada. Salto maior foi do primeiro (“Los Hermanos”) para o segundo disco (“O Bloco do Eu Sozinho”). O nosso fã já sabe que não temos um protocolo definido, que podemos mudar o leme do barco a qualquer momento, portanto acho que quem se surpreendeu esqueceu disso. Nosso compromisso é com a música que vem do coração, e fazer isso com sinceridade significa estar aberto às mudanças.
JC Cultura - Na visão de vocês, houve uma real mudança para/com o “4”?Foi algo definido, um rumo diferente para o disco, ou algo natural?
Bruno - Considero que cada disco tem um universo bastante distinto dos outros, não foi diferente dessa vez.
JC Cultura - Diversas músicas do “4” falam de rupturas, serenidade, melancolia, distância e de “nãos”. É uma resposta ao atual momento da carreira de vocês ou a alguma situação especial?
Bruno - Não. As músicas não são resposta a nada, não há significado oficial nem mensagem oculta. Mas é claro que elas falam sobre nós na medida que representam nosso olhar sob as circunstâncias.
JC Cultura - Depois do show em Bauru, vocês seguem para uma turnê em Portugal. Como anda a divulgação do disco por lá? Como é a recepção do público?
Bruno - Tudo ainda muito no início. Temos ainda um trabalho árduo por lá, porém promissor.
JC Cultura - Como está a carreira internacional da banda? É algo que terá destaque na agenda e investimento de vocês nesse ano?
Bruno - Sim, temos permitido que intercâmbios aconteçam. Já fomos procurados por mais de uma banda de fora e o intuito é tentar fazer pontes para outros países. Mas isso tem acontecido de uma forma natural, não que estejamos perseguindo uma carreira no Exterior. Quando surge uma boa ocasião nós aproveitamos, tem sido assim.
JC Cultura - A banda já se acostumou com o assédio dos fãs e com aqueles que adoram o Los Hermanos de forma quase messiânica – algo quase único na música brasileira? Vocês acham isso positivo ou negativo?
Bruno - Não temos uma relação direta com essas demonstrações. Pode acontecer de sermos abordados por um grupo no aeroporto ou num restaurante, mas a relação que existe mesmo com os fãs é a que se estabelece durante o show. Ficamos felizes em perceber que fazemos parte da vida de algumas pessoas, que nossa música é importante para elas. Isso só pode ser positivo.
JC Cultura - Além da turnê por Portugal, há novos planos para 2006? Algum novo lançamento ou novidade?
Bruno - Estamos praticamente no meio da turnê do disco “4”. O plano é revisitar as capitais e continuar levando esse show aonde ele ainda não foi, como é o caso de Bauru.