09 de julho de 2026
Cultura

Coletivo Samacô mostra o pós-caipira

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

A cultura regional que despertou um sonho. Uma idéia original e conciliatória. Um selo independente que abrange várias tribos. A ordem pouco importa nesse resultado criativo do selo independente Coletivo Samacô, com origem em Bauru, em 1996, e destino nômade, que promove hoje, a partir das 23h, no Audio Galaxy Bar, o Samakossa Groove. Na ocasião, haverá o pré-lançamento e a venda do CD de MP3 com todo acervo do selo, além da apresentação de seis DJs do coletivo.

O som começa num back-to-back, em que os DJs Saggo e Diabla Rubia tocam cada um uma música, num repertório que vai do rock ao eletrônico. Logo depois, João Lima mostra suas referências de funk, soul e grooves. Em seguida, DJ Fela apresenta seu projeto Subversamba com muitos beats e batuques, e a noite se encerra com a performance dos DJs IB e TRZ, do Lavoura Eletro.

No CD lançado hoje, 20 álbuns de diferentes artistas, com mais de 200 músicas, unem rock, rap, música eletrônica e instrumental. O ponto comum entre os estilos está exatamente na diferença. “O selo não segue uma ideologia, mas um critério em mostrar o que não é veiculado pela mídia. Trata-se de uma produção underground que está muito mais ligada à integridade artística do que à venda”, coloca o produtor artístico Fernando Falcoski, mais conhecido como Tristeza, um dos responsáveis pelo selo.

Para garantir a sobrevivência do selo e a divulgação dos trabalhos, o coletivo viu na tecnologia sua maior aliada. “Sabemos que nem todas as pessoas têm como escutar músicas no formato MP3, mas foi o caminho que encontramos de entrar no mercado”, coloca Tristeza. A Internet também foi outra ferramenta para extrapolar barreiras físicas e ganhar espaço no cenário musical. “Temos o site www.samaco.com.br, onde as pessoas podem acessar, compartilhar um pouco das nossas idéias e conhecer todos os trabalhos”.

Atualmente, o selo não possuiu estrutura fixa, nem os produtores residem na mesma cidade, mas isso está longe de ser um empecilho. “Esta situação não é ruim, pelo contrário. Estamos dispersos e expandindo nosso trabalho”, afirma Tristeza.

De caipira a nômade

Há dez anos, era apenas uma idéia maluca de universitários, mas a insanidade contagiou tantas pessoas que se tornou sã. “Éramos todos vindos de cidades do Interior de São Paulo que nos encontramos na Unesp (Universidade Estadual Paulista). Morávamos na república Samacô, que deu nome ao selo, e queríamos promover uma cultura independente que estivesse interligada a outras artes. Assim montamos bandas, divulgamos em festas e tivemos a idéia da produtora”, explica Tristeza.

E nessa efervescência cultural, foram gravados em estúdio caseiro trilhas sonoras para peças de teatro e vídeos, música experimental, documentação e registro da cultura regional, festas e os primeiros singles da banda Mercado de Peixe, centrada em Bauru, mas conectada com a cultura de todo Interior paulista, ou seja, a cultura caipira. “O selo e o Mercado são praticamente a mesma coisa. Nós fomos influenciados pelo Chico Science, em que dizia que queria fincar uma parabólica na lama, nós também queríamos, mas a nossa teria que ser no cerrado”, diz Tristeza.

A idéia logo se alastrou, ganhou novos adeptos e se transformou em um movimento, denominado pelo antropólogo Hermano Viana como pós-caipira. Mas com o desmanche da república neste ano, foram descobertos novos trabalhos e o que era apenas caipira, virou nômade. “Começamos a agregar novas vozes criativas. Notamos que o Brasil é mais do que caipira, ele é nordestino, caboclo, uma difusão cultural”, diz Tristeza. Essa mudança de conceitos também atingiu o Mercado de Peixe, no som que poderá ser conferido amanhã, a partir das 23h, no Armazén Bar”.

• Serviço

DJs agitam a festa do pré-lançamento do CD de MP3 com todo acervo do selo independente Coletivo Samacô, a partir das 23h, no Audio Galaxy Bar (avenida Duque de Caxias, 8-40). Mais informações: (14) 3227-4596.