10 de julho de 2026
Internacional

Polícia não previa caso como o de Jean Charles com ‘atirar para matar’

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Londres - Os idealizadores da política do “atirar para matar” não previam o seu uso em situações como a que culminou na morte do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, no metrô de Londres, confundido com um terrorista. A afirmação foi feita pela chefe de polícia Barbara Wilding, no documentário “Stockwell, Contagem Regressiva para Matar”, exibido ontem à noite por um dos canais de televisão da BBC.

No entanto, o alto comando da polícia defendeu essa forma de intervenção e disse não haver necessidade de alterá-la. Ela permite aos policiais atirarem na cabeça de um suspeito de terrorismo, para evitar que ele detone a bomba que possa estar transportando.

Conhecida como “Operação Kratos”, essa forma de intervenção tem sido a principal salvaguarda aos policiais britânicos, para que eles não sejam punidos em razão da morte do brasileiro.

O documentário da BBC reconstruiu a história de Jean Charles e os erros da operação na estação de metrô Stockwell, no sul de Londres. Ele levou sete tiros na cabeça. Os policiais o seguiam em seu trajeto de casa para o trabalho, na manhã de 22 de julho do ano passado. Sua morte ocorreu no dia seguinte ao dos atentados terroristas a bomba na cidade, que mataram 52 pessoas.

Wilding, uma dos elaboradoras da “Operação Kratos”, afirmou que não foi prevista a possibilidade de ela ser usada em casos de vigilância e investigação que se transformam em ação para deter uma ameaça.

“Se nós levantamos esta hipótese? A resposta é não”, afirmou. Segundo o documentário, as hipóteses levadas em consideração pelos elaboradores dessa forma de neutralizar um inimigo potencial se restringiam a um evento fortuito, no qual um terrorista seria identificado, sem que houvesse a prévia suspeita de que ele procurava atingir alvos específicos.

O documentário abordou a possibilidade de os policiais receberem ordem para atirar, mesmo não tendo a certeza de que o suspeito carrega uma bomba. Essa possibilidade não é prevista nas operações da polícia israelense, que inspiraram a política britânica. “Precisamos enxergar a bomba ou termos a informação da equipe de vigilância de que o suspeito carrega explosivos”, afirmou um policial israelense.

O brasileiro Jean Charles não se enquadrava em nenhuma dessas duas alternativas.