10 de julho de 2026
Nacional

Motorista contradiz fala de Palocci

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O motorista Francisco Chagas da Costa contradisse ontem, na CPI dos Bingos, o depoimento prestado aos senadores pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci. O motorista afirmou ter visto o ministro “três vezes, mais ou menos” na casa alugada pelo economista Vladimir Poleto no Lago Sul, em Brasília.

A casa foi descrita pelo advogado Rogério Buratti como uma “central de lobby” para encontros de lobistas e empresários com negócios de interesse no governo Lula. “(O ministro) foi lá, ia lá. Mas não em festa. Durante o dia, mas sem festa. Não sei o que ia fazer. Foi poucas vezes. (...) Umas três vezes, mais ou menos. Eu o vi entrando na casa”, disse Costa.

As visitas do ministro não são, em si, um crime. Mas os senadores da oposição ficaram surpresos ao detectar mais uma contradição na versão apresentada por Palocci no depoimento de janeiro. A reportagem já revelou que era falsa a explicação apresentada por Palocci sobre o uso de avião de um empresário no qual voou para Ribeirão Preto, já no cargo de ministro.

Na ocasião, Palocci havia dito que o PT “alugou” o avião. Depois, em nota, o ministro admitiu que cometeu uma “imprecisão terminológica” em seu depoimento. Em janeiro último, o ministro foi indagado sobre a casa pelo relator da comissão, Garibaldi Alves (PMDB-RN): “Vossa Excelência não esteve nenhuma vez na casa que ele (Vladimir Poleto) alugou no Lago Sul (em Brasília)?” Palocci foi definitivo: “Não, nenhuma vez. Não estive nenhuma vez.”

O motorista contou que Palocci, nas vezes em que foi à casa, foi transportado não em carro oficial do Ministério da Fazenda, mas num Peugeot prata pertencente a Ralf Barquete, ex-assessor da presidência da Caixa Econômica Federal. Morto em 2004, Barquete foi acusado no ano passado por Buratti, ex-assessor de Palocci, de receber da empreiteira Leão Leão R$ 50 mil mensais para um caixa dois do diretório nacional do PT.

O motorista trabalhou entre março de 2003 e fevereiro de 2004 no transporte, em Brasília, de Poleto, Buratti, Barquete e Ademirson Ariovaldo da Silva, assessor especial do ministro Palocci. Todos freqüentavam a casa alugada por Poleto. O grupo comprou celulares em nome de Costa. Deixou-o ficar com um, do qual também pagavam a conta. Usavam o aparelho eventualmente, para falar entre si e com terceiros.