09 de julho de 2026
Política

Ramiro pede acareação com acusador

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

O superintendente da empresa Bauruense Tecnologia, pertencente ao Consórcio Ecocamp, Ramiro Ferreira Júnior, divulgou ontem, em entrevista coletiva, solicitação de acareação com a testemunha levada ao Ministério Público (MP) por intermédio do jornalista da TV Bandeirantes Roberto Cabrini, para se manifestar sobre a acusação de que o empresário teria sido o mandante do assassinato do ex-prefeito de Campinas Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT.

Na primeira manifestação pública sobre a reportagem do Jornal da Band, veiculada nesta semana, que traz um possível ex-funcionário da Bauruense afirmando que presenciou conversa de Ramiro Jr. com Clóvis Franco, do Consórcio Ecocamp, onde Ferreira teria dito que era preciso “dar baixa” no ex-prefeito, o empresário reafirmou que está perplexo. “Peço desde já que vou falar outras vezes sobre este assunto, até seu desfecho”, disse.

Ramiro voltou a condenar o conteúdo da reportagem baseado na versão da testemunha. “Eu me sinto como aquele cidadão já com os cabelos brancos, mas no vigor pleno de sua atividade física, mental e intelectual e que vai no médico fazer seu exame periódico e este diz que ele está com câncer. A perplexidade é enorme neste caso. Tem cura, o tratamento é longo e doloroso e todos ao seu lado vão sofrer com esse tratamento. Mas seqüelas ficarão na minha intimidade e no legado da empresa. Estou aqui para aguardar e à disposição do Ministério Público e outros órgãos que vão investigar”.

O empresário distribuiu cópia de petição onde pede o encontro, ao lado da Promotoria, tanto com Cabrini quanto com o ex-funcionário que gravou depoimento falando sobre a autoria do assassinato do ex-prefeito Toninho do PT. “O que feriu foi que da noite para o dia eu virei responsável por tirar a vida de uma pessoa. Eu sou órfão de pai aos seis anos porque ele foi assassinado. Então, eu jamais pensei em fazer contra qualquer pessoa e jamais aceitaria propor um negócio desse”, lamentou.

Ramiro disse que não sabe quem foi o ex-funcionário que deu a entrevista. “Não tenho idéia de quem é o ex-funcionário, não conheço aquela pessoa. Quando você contrata uma pessoa, contrata a força de trabalho e não o caráter. Você quer pessoas que venham para seu grupo e que trabalhem, sejam produtivos”, comentou.

Toninho do PT foi morto em 10 de setembro de 2001 e o inquérito policial havia concluído que a quadrilha do seqüestrador Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, teria sido a responsável pelo crime. Mas uma testemunha que teria sido da empresa Bauruense, levada à Promotoria na semana passada por Cabrini, declarou ao promotor Fernando Viana que presenciou a conserva dos diretores da empresa, quando teria sido tratado do plano de assassinar o ex-prefeito.