08 de julho de 2026
Nacional

Alckmin e Serra adotam ‘lei do silêncio’

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - O governador Geraldo Alckmin surpreendeu ontem ao evitar a imprensa durante visita à nova fábrica da Gerdau, em Araçariguama (a 50 quilômetros de São Paulo). Essa não é a postura rotineira do pré-candidato do PSDB à Presidência, que chega a conceder até quatro entrevistas num mesmo dia sobre o processo de escolha do candidato tucano.

Com a nova postura, Alckmin ficou parecido com o prefeito José Serra, seu principal adversário dentro do PSDB, que sempre despista e imprensa quando o assunto é eleição. Esse foi o comportamento de Serra ontem ao participar da abertura da 19.ª Bienal do Livro. “Eu tenho que ir. Eu tenho compromisso”, respondeu Serra diante da insistência dos jornalistas em perguntar sobre seu futuro político.

O silêncio de Serra, entretanto, não surpreende. Não é seu estilo fazer declarações sobre seu ainda indefinido futuro político. Ao contrário de Alckmin, Serra ainda não declarou a disposição de sair candidato pelo PSDB nas eleições de outubro. O prefeito, no entanto, não poupa as críticas quando o assunto é a política econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar do silêncio de Serra, os tucanos nunca desmentiram a intenção do prefeito ser candidato.

Já Alckmin fez ontem um discurso de “candidato” na Gerdau recheado de críticas à condução da economia. Alckmin disse que o país está hoje com “bolas de aço nos pés” em uma referência a dois pontos que costuma criticar na política do governo Lula: o dólar desvalorizado e os juros elevados, que estariam impedindo o crescimento do país.

Se recolher para decidir

“Eu acho que nós chegamos a uma fase de decisão mais interna do partido, em que as pessoas naturalmente se recolhem mais. Está chegando a hora de decidir”, disse o deputado federal Eduardo Paes (RJ), secretário-geral do partido do PSDB, por telefone. Essa semana deve ser decisiva para os tucanos. Está prevista para hoje uma reunião do chamado “triunvirato” com cada um dos dois pré-candidatos.

O senador e presidente da legenda, Tasso Jereissatti (CE), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, têm a missão de chegar a um acordo com Alckmin e Serra para encerrar a “novela” que se arrasta por meses e provoca desgaste na legenda.

Uma das alternativas estudadas nos bastidores passaria pela “vitória” de Alckmin, que seria o candidato tucano escolhido para combater o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de outubro. Em compensação, Serra seria cacifado para suceder o governador no Palácio dos Bandeirantes. Publicamente, a hipótese é negada por vários tucanos. “Isso é pura especulação da imprensa. O Serra jamais me falou dessa hipótese”, diz Paes.

Além disso, essa possibilidade contrariaria os interesses de Aécio Neves, que deve tentar a reeleição neste ano de olho nas eleições de 2010, quando pretende ser o candidato do PSDB à Presidência.