Londres - No mesmo dia em que Tony Blair deu apoio total ao chefe da Scotland Yard acusado de encobrir o erro de sua corporação na morte de Jean Charles de Menezes e que Lula se disse confiante na condução dada ao caso pelo governo inglês, surgiu mais um dado que compromete a polícia de Londres.
Segundo reportagem de ontem do diário “The Guardian”, altos oficiais da Polícia Metropolitana (nome oficial da Scotland Yard) já sabiam horas após o assassinato que a vítima era um inocente, e não o terrorista que estavam perseguindo. Trata-se de mais pressão sobre o comissário Ian Blair, cuja demissão é cobrada pela família de Jean Charles. Horas depois do episódio na estação de metrô de Stockwell, Ian Blair dissera, em entrevista coletiva, que a vítima era suspeita de ter participado das tentativas frustradas de ataques terroristas ocorridas na antevéspera. Só admitiu o erro no dia seguinte.
As testemunhas - que estavam na sede da Scotland Yard em 22 de julho, dia da morte - relataram ter presenciado discussões e planejamentos a respeito das ações a serem tomadas após a morte por engano.
Mas a reportagem sugere que Blair mentiu na coletiva. Não é o primeiro jornal londrino a fazê-lo. Mas a diferença é que, segundo o diário, desta vez as informações constam da segunda investigação aberta pela IPCC (Comissão Independente de Queixas Contra a Polícia, na sigla em inglês), específica para apurar a conduta da polícia e motivada por um requerimento da família.
O relatório sobre a primeira investigação, que se ateve às circunstâncias do assassinato, já foi enviado ao Crown Prosecution Service, equivalente ao Ministério Público britânico, que decidirá nos próximos meses se vai processar os responsáveis pelo ocorrido.