08 de julho de 2026
Nacional

Tiroteio em morro deixa três feridos

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - Militares do Exército voltaram a entrar em confronto, na manhã desta sexta-feira, com traficantes do morro da Providência (região central do Rio). Em meio ao tiroteio, um homem, uma mulher e uma criança ficaram feridos. Quatro pessoas foram presas em uma casa, onde também foram apreendidos 10 quilos de cocaína, uma farda camuflada do Exército e radiotransmissores. De acordo com o Comando Militar do Leste, o confronto começou quando cerca de 50 soldados que ocupam o morro da Providência foram agredidos por moradores, a maioria mulheres e crianças.

O Exército afirma que o grupo chegou a atirar para o alto para dispersar a manifestação. Com o barulho dos tiros, traficantes que estavam no morro do Pinto, em frente ao morro da Providência, atiraram na direção dos militares. A troca de tiros durou cerca de duas horas. O Exército realiza desde o último fim de semana uma operação em morros, favelas e estradas do Rio na tentativa de recuperar os dez fuzis FAL e uma pistola levados do Estabelecimento Central de Transportes (ECT), no dia 3.

As pessoas feridas ontem teriam sido atingidas por estilhaços de balas e granadas. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o homem foi atendido no hospital Souza Aguiar, por volta das 7h, e liberado duas horas depois, após curativo. A mulher e a criança chegaram ao hospital pouco depois, foram medicadas e, por volta das 13h30, permaneciam internadas. Os nomes e idades não foram divulgados.

Operação

No total, dez morros e favelas foram ocupados pelo Exército desde o dia 4. Desde quarta, as tropas realizam bloqueios em estradas como a Dutra, a BR-040, a Rio-Santos, a ponte Rio-Niterói e em vias da Baía de Guanabara. Apesar do aparato, nenhuma das armas levadas do quartel do Exército foi encontrada. Os militares ampliaram os trabalhos e ocuparam ontem o morro do Pinto, anexo ao morro da Providência, onde confrontos com traficantes têm sido constantes.

Na noite de terça, enquanto os militares ocupavam a favela da Metral, outros saíram das favelas Vila dos Pinheiros e Caju. Na noite de quinta, os militares saíram do Dendê e do Jardim América. A ocupação continua, além do morro do Pinto, nos morros da Providência, nas favelas Parque Alegria, Jacarezinho, Manguinhos, Nova Brasília. Oficialmente, os militares afirmam que a operação terminará apenas quando as armas forem encontradas.

Porém, conforme reportagem publicada na anteontem pela Folha de S.Paulo, o Estado Maior do CML já começou a discutir, ainda que de modo reservado, a hipótese de os dez fuzis e a pistola não serem recuperados. Caso isso ocorra, o mais provável é que as tropas voltem aos quartéis, e o serviço de inteligência do Exército continue a investigar o paradeiro do armamento, roubado na sexta passada.

O roubo das armas ocorreu na madrugada de sexta passada. Sete homens vestindo roupas camufladas e toucas ninja invadiram o Estabelecimento Central de Transportes, renderam e agrediram os soldados responsáveis pela guarda e roubaram armas que estavam em armários.

Um inquérito policial militar foi instaurado após o roubo. Para realizar a operação em busca das armas, o Exército obteve mandados de busca na Justiça Militar.

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Juiz garante ocupação

São Paulo - O juiz Wilney Magno de Azevedo Silva, da 16ª Vara Federal do Rio, negou ontem o pedido de liminar feito pelo Ministério Público Federal (MPF) por meio de uma ação cautelar que interromperia a operação do Exército no Rio, realizada desde o fim de semana passado. Cabe recurso. Em sua sentença, o juiz decidiu ainda extinguir o processo, sem julgamento do mérito.

Os militares ocupam diversas regiões da cidade e realizam bloqueios em suas principais vias de acesso em busca de dez fuzis FAL e de uma pistola roubados do Estabelecimento Central de Transportes (ECT), no último dia 3. Os procuradores da República Fábio Aragão e Vinícius Panetto alegam que a Constituição Federal não está sendo cumprida. Eles dizem que o Exército tem realizado funções exclusivas das polícias Civil e Militar, como revistar carros e moradores que entram e saem dos morros e favelas.

Os procuradores instauraram um procedimento para apurar possíveis arbitrariedades cometidas contra a população. Em seu pedido de liminar, o MPF afirmava que não queria prejudicar as investigações, mas contestava o cumprimento de mandados da Justiça Militar.