Brasília - O presidente eleito do Haiti, René Préval, defendeu ontem em Brasília a permanência das tropas brasileiras no país, mas disse que o papel da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) deve ser redefinido para se adaptar à nova realidade do país, após as eleições. Ele não detalhou qual seria o novo papel da Minustah, mas disse que os detalhes serão discutidos com as autoridades que formam a força. O Brasil comanda a Minustah desde junho de 2004 e participa com 1.200 soldados.
Préval disse que não sabe por quanto tempo será preciso manter a presença de tropas internacionais no país, mas disse que seria “uma irresponsabilidade da comunidade internacional” deixar o Haiti agora. Para ele, a Minustah não deve se retirar enquanto não forem fortalecidas a Justiça e a polícia haitianas. “Nossa Justiça e nossa polícia são muito fracas, e seria irresponsável de nossa parte requerer a saída da Minustah. Mas é melhor redefinir o mandato para adaptá-lo à atual situação”, disse.
Préval fez ontem sua primeira visita ao Brasil como presidente eleito, depois de uma conturbada votação, no dia 7 de fevereiro. O líder haitiano só foi declarado vitorioso no primeiro turno mediante a intervenção do governo brasileiro - que sugeriu ao Comitê Eleitoral Provisório e à comunidade internacional mudar as regras e anular a contagem de votos brancos e nulos, sob suspeita de fraude. O objetivo era evitar o recrudescimento da violência no país.
Ele defendeu a formação de uma força policial civil haitiana baseada no exemplo da Gerdarmerie francesa e canadense, no lugar do restabelecimento do Exército, como reivindicam ex-militares haitianos. Segundo Préval, a formação de um novo Exército seria inútil em um país que tem outras prioridades de gasto, como saúde e educação. A posse de Préval está prevista para o dia 29, mas poderá ser remarcada por causa do adiamento do segundo turno das eleições locais e parlamentares, que de 19 de março passaram para 21 de abril.
Hoje, Préval viaja com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Chile para assistir à posse da presidente Michelle Bachelet.