10 de julho de 2026
Geral

Indecisa sobre as opções, Estela decidiu fazer um ano de cursinho

Érika Pelegrino
| Tempo de leitura: 2 min

Estela Fakih se difere de muitos vestibulandos por uma razão: tem tempo para a dúvida e a indecisão. Ao terminar o terceiro colegial, a adolescente não conseguia se decidir entre a dança e a fisioterapia. Ao contrário de muitos jovens, não se sentiu pressionada a fazer uma opção, mesmo sem certeza.

“Não sabia o que queria, então não prestei o vestibular. Vim para o cursinho. Este ano a mais pode ser o tempo de que preciso para amadurecer esta decisão”, afirma. Imatura ainda para tomar uma decisão que irá determinar toda a sua vida, Estela é madura o suficiente para reconhecer que a maioria dos adolescentes não estão prontos para esta escolha.

“Muitos que estão aqui (no cursinho) ainda não têm certeza sobre a profissão que querem”, afirma. “O adolescente é meio indeciso, é difícil escolher. É muito cedo para tomarmos uma decisão tão séria”.

O apoio dos pais é fundamental para que Estela possa se dar este tempo. “Eles me disseram que se eu ainda não tiver certeza sobre o que quero fazer, posso começar um curso e, se não gostar, posso parar e tentar outra coisa”.

A primeira vez não deu

Thaíse Martins dos Santos, 18 anos, tentou o vestibular para educação física e não passou. Como muitos outros colegas, está de volta às salas de aula. Ela conta que estava preparada para o resultado que obteve. Admite que não estudou. Estava cuidando de outros interesses, mais urgentes em sua vida naquele momento.

“Eu treinava ginástica olímpica e não estudava o suficiente”, conta.

Com o cursinho acredita que terá mais condições de entrar na faculdade. Mas Thaíse não é do tipo que pretende se “matar” de estudar. “Vou estudar todos os dias em casa, além de assistir as aulas”, afirma. “Mas final de semana, não”.

Já Sara Evangelista Chiavelli, 18 anos, tem uma posição diferente. Pretende dedicar-se exclusivamente aos estudos para conseguir uma vaga no curso de educação artística. Vinda de escola pública ela não acreditava estar preparada para enfrentar o vestibular na saída do terceiro colegial, no final de 2004.

Iniciou o cursinho e no meio do ano passado tentou o vestibular. “Tentei só para ver como era, então fiquei tranqüila”, afirma. No final do ano tentou novamente e não conseguiu. Foi frustrante, mas não está desanimada.

“Eu vi que para passar a gente tem que estudar muito, todos os dias. Não adianta só assistir as aulas”, afirma. Depois de um ano de cursinho e duas tentativas de entrar na faculdade, Sara considera-se mais preparada para encarar os estudos. “Este tempo serviu de experiência para mim”, afirma.