Após a absolvição dos deputados Roberto Brant (PFL-MG) e Professor Luizinho (PT-SP), acusados de envolvimento no ‘mensalão’, o presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), esteve ontem em Bauru para explicar as mudanças de regras no funcionamento do conselho, propostas por ele e por uma comissão de parlamentares. De acordo com Izar, a prioridade é que os votos sejam abertos para evitar as “surpresas” que ocorreram nas últimas votações.
“Senti que a maioria dos deputados não estudou os processos e simplesmente votou por amizade ou pelo passado do parlamentar. Está errado. Então, pedimos para colocar na pauta a emenda constitucional que obriga que o voto seja aberto para os casos de cassação, pois tenho certeza que os dois seriam cassados caso o voto não fosse secreto”, afirma.
Izar explicou ainda que o conselho sentiu, com estas absolvições, que tem poucos recursos e pediu mais poderes, como a possibilidade de forçar uma testemunha a depor, o direito de quebra de sigilos bancário, telefônico e fiscal de parlamentares em processos de cassação e a alteração de prazos no Conselho de Ética. “Estamos engessados. Os prazos são marcados pelas reuniões do Plenário. Queremos que os prazos sejam diários ou definidos nas reuniões do próprio Conselho”, diz.
O deputado descarta a hipótese levantada pela mídia de que haveria uma renúncia coletiva dos parlamentares que compõem o Conselho de Ética. “O único deputado que saiu foi um suplente (Colbert Martins do PPS-BA). Ele falou comigo antes, estava se sentindo mal com a situação”, diz.
O cronograma de votações do Conselho de Ética deve ser encerrado até o final deste mês, segundo Izar. Faltam ainda os deputados Pedro Corrêa (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), Wanderval Santos (PL-SP), João Magno (PT-MG), José Mentor (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), José Janene (PP-PR), Josias Gomes (PT-BA) e Vadão Gomes (PP-SP). Izar já tem seus palpites para as votações desta semana. “O Pedro Henry provavelmente será absolvido porque já foi solicitado ao conselho a absolvição. Mas a absolvição do Pedro Corrêa seria um desastre. Está muito dividido. O que é caixa 2 não está dando cassação e o que é mensalão está. Mas vamos aguardar”, salienta.
Por fim, Izar não negou a possibilidade de lançar-se candidato ao governo do Estado de São Paulo. “Se em uma pesquisa prévia eu tiver mais de 5% das intenções, eu gostaria de ser o candidato do PTB”, encerra.