Sabemos que a comunicação verbal, principalmente a escrita, é a grande responsável pela transmissão e arquivo dos conhecimentos acumulados pela humanidade através dos tempos. Isso será sempre indiscutível. O que tem mudado é o canal de comunicação. O progresso científico exigiu que se mudasse, se aperfeiçoassem os canais de comunicação para que houvesse mais rapidez e perfeição do processo de interação comunicativa. Por isso, vivemos a era da mídia ditando normas e impondo mudanças de hábito. Será que o papel da escola é só sistematizar a leitura?
Os alunos lêem o mundo antes de entrar na escola. Para Paulo Freire (1982), existem dois tipos de leitura, a do mundo e a das palavras, sendo que a 1ª antecede a segunda. Sendo assim, é preciso levar objetos para serem lidos para que haja interdisciplinaridade. Por exemplo, ler uma planta, um rio que corte a cidade ou um filme como “Tempos Modernos”, onde o ator Charlie Chaplin dá vida a uma personagem com uma riqueza interior e valores como o amor, solidariedade e amizade se contrapõem àqueles transmitidos pelos heróis de tevê, vídeo ou cinema, principalmente os de produção Hollywoodiana, onde se privilegia a idéia de perfeição, invencibilidade ou qualidades sobre-humanas. Ele resgatou a vida do indivíduo comum, anônimo, magro, baixo, feio e pobre, mas que por outro lado os valores por ele transmitidos retratam uma visão crítica e bem-humorada da realidade.
Ressaltamos que a importância da leitura, como prática social e individual, está perpetuada na arte ao longo da história. Precisamos trabalhar com leituras diferentes, como ler as cores, formas, linhas, ritmos e os espaços. Enfim, maneiras salutares de colocar o aluno em contato com a leitura não verbal. Não se trata apenas, simplesmente de ensinar alguém decodificar um código qualquer de comunicação, muito além, trata-se de fazer com que o leitor seja capaz de perceber que um texto ou um filme reflete na própria vida e que os problemas existentes são atinentes ao seu tempo. (A autora, Oeni Custódio Marins, é professora, graduada em Letras-Português pela USC- Universidade do Sagrado Coração de Bauru e Especialista em Educação pela Integrale/Fecap, professora de Língua Portuguesa)