Brasília - O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (PE), defendeu ontem a saída do ministro Antônio Palocci da Fazenda. Nesta semana, a CPI dos Bingos encontrou novas contradições no depoimento prestado por Palocci em janeiro.
O motorista Francisco das Chagas da Costa afirmou ter visto o ministro em três ocasiões na casa alugada em Brasília pelos ex-assessores de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto Ralf Barquete, Rogério Buratti e Vladimir Poleto. O ministro havia negado ter ido à casa. “O país não pode conviver com uma situação tão surreal: a principal autoridade econômica e financeira denunciada como chefe de quadrilha num processo de corrupção”, disse Freire.
Para o presidente do PPS, “se o governo Lula fosse sério e responsável já teria afastado o Palocci da Fazenda”. Freire disse que o governo federal ainda não adotou essa medida porque quer garantir foro privilegiado a Palocci.
Na última quinta, o delegado da seccional de Ribeirão Preto, Benedito Antonio Valencise, disse que teria indícios suficientes para indiciar o Palocci por falsidade ideológica, formação de quadrilha e peculato (funcionário público que se apropria de dinheiro em função do cargo que ocupa ou de bem público). “Se fosse na condição de prefeito, diante das evidências, eu faria o indiciamento.”
Freire disse que continuação de Palocci à frente do Ministério da Fazenda “beira o surrealismo”. Ele ressalta que o ministro está sendo denunciado “por seus antigos auxiliares e por instituições republicanas; não pela oposição”.
O inquérito policial com as apurações feitas pelo delegado Valencise será enviado ao Supremo Tribunal Federal. “O caso de Palocci é o retrato do governo Lula, cujo nível de degradação moral feriu de morte a vergonha.”