Sou daqueles que gostam de ter o nome limpo, de ter crédito, de pagar os impostos em dia. Jamais deixei a prefeitura na mão, e veja só o que me aconteceu. No ano de 2000, comprei um terreno com uma casa velha, para demolir e construir no terreno. Coube a um trator a limpeza do terreno. Evidentemente, com o seu peso danificou a calçada, que foi refeita posteriormente. Com todas as taxas pagas à vista, como é meu costume. Planta aprovada, IPTU, água, luz e calçada em ordem, recebi meu “habite-se”.
Tudo em ordem! Para minha surpresa, depois de vários anos, recebo na minha residência uma multa, que hoje está em R$ 4 mil. Espantado, fui até à prefeitura e fui informado que era pela calçada que estava em 2000 parcialmente danificada e que como eu não tinha atualizado o endereço, as notificações voltaram para a prefeitura e ela, como manda a lei, colocou no “Diário Oficial do Município”, que não deve ter uma tiragem maior que 3 mil para uma cidade de 350 mil habitantes.
Conclusão: eu tentei conversar com muita gente e a resposta foi sempre a mesma, ou seja, estava tudo “dentro da lei”. Agora, eu, que nunca fui beneficiado por nenhuma dessas “anistias políticas” e sempre paguei o que devo à prefeitura em dia e à vista, o que faço? Será que devo colocar uma bolinha vermelha no nariz?
Sem nunca ter tomado conhecimento do ocorrido, sem jamais ter tido o prazo para arrumar a calçada, sem ter como recorrer...
Veja só, na prefeitura, ao conversar com a funcionária responsável, num desabafo, já que ela não me dava nenhuma chance de defesa, disse a ela que só mandando um recurso para Deus. E a resposta, em tom de deboche, veio em seguida: “Por que você não faz isso? Quem sabe Ele não resolve para você!”
Agora, eu gostaria de convidar os administradores para conhecer melhor a cidade, já que sempre achei que o exemplo vem de cima e tenho que pagar uma multa de mais de R$ 4 mil por uma calçada que esteve por um curto período parcialmente danificada, quando a própria cidade em que nasci e vivi minha vida toda está há anos totalmente esburacada, com várias ruas, calçadas e avenidas intransitáveis, representando perigo para estudantes e população em geral. E todos estão vendo como nossa querida cidade está há muito tempo, jogada às traças...
Aí me vem ao pensamento: Quantas vezes ainda teremos que pagar alinhamentos de rodas e danos nas nossas conduções por ruas intransitáveis?
Quanta gente sofreu e ainda vai sofrer conseqüências desagradáveis causadas pelas enchentes? Será que tenho que mandar um recurso para Deus mesmo? Se não existe o bom-senso e tem que ser de acordo com a lei, então quanto de multa esses administradores tem que pagar? É como no caso da Leishmaniose, quem tem que ser sacrificado? O cão, claro! Assim como eu, ele deve ser a causa e o causador das “epidemias” que acontecem na cidade. Por isso estou para concordar com o que me disseram um dia: “Quanto mais eu conheço os homens, mais eu admiro os cachorros!”
Peço aos políticos de bem (que sei que não são muitos, mas ainda existem e resistem) que se interessem em arrumar mais essa vergonha, e se não existir remédio hoje para mim e eu, assim como o cão, for o sacrificado, quem sabe não evitamos que aumente a epidemia da pouca vergonha. E assim não começamos a pensar no uso da lei e das multas para educar, e não para suprir a falta de capacidade e inteligência dos políticos em buscar recursos usando mais a criatividade. Deixando assim de tirar do bolso de quem já não tem. A população! Que já não sabe mais o que fazer. Peço assim pelo bom-sendo e respeito a quem paga em dia!
Uma sugestão, já que, para me notificar e dar um prazo e a chance de arrumar a calçada não encontraram o endereço da minha residência, mas para mandar os IPTUs e as multas conseguem facilmente. A partir de agora, usem o mesmo método para as duas coisas e não dois pesos e duas medidas!
Quero aproveitar para agradecer pelo Refis, que me “favoreceu” e vou poder pagar o que “devo” parcelado e com 60% de desconto nos juros. Então, parabéns também aos senhores vereadores, que aprovaram essas multas inteligentes e agora concederam um “desconto” nela. Dando assim o mesmo tratamento e pena para réu e vítima, igualando ambos! Que Deus ilumine o caminho de vocês, administradores e políticos, que possam colocar a cabeça no travesseiro e descansar com muita paz na consciência! (Wlademir Amilton do Carmo - verdadeiro bauruense de nascimento e coração!)