08 de julho de 2026
Regional

Do rio para o pódio olímpico

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Massificar esportes considerados de elite num país em que o Futebol reina soberano pode ser considerado uma ousadia. O uso do iatismo não é propriamente uma novidade no campo da inserção social, já que outros esportes definidos como “para poucos” também têm projetos semelhantes, como no caso do tênis e do vôlei.

As dificuldades adquirem maior dimensão ao se esbarrar com a cultura, muito enraizada no brasileiro, de que atrás do primeiro colocado todos são perdedores. O Navega São Paulo tem uma proposta bastante ousada de inserção de adolescentes na prática de esportes náuticos com a finalidade, primeira, de desenvolver a cidadania. O projeto usa o iatismo, a canoagem e afins como material didático.

Os responsáveis pelo Navega São Paulo não negam a possibilidade de formação de atletas de alto nível. Entretanto, evitam falar da intenção de revelar medalhistas olímpicos. Porém, nas entrelinhas o secretário de Estado da Juventude, Esporte e Lazer, Lars Grael, ávido colecionador de triunfos no iatismo com medalhas olímpicas etc., deixou antever que ação social com esporte pode trazer à tona excepcionais atletas. “Como conseqüência, tem a formação, às vezes, de novos talentos esportivos”, destaca o secretário iatista.

Ao entregar o núcleo do Navega São Paulo em Barra Bonita, na segunda-feira passada, Grael empostou a voz ao comentar a façanha recente de um dos garotos do projeto que se destacou em competição. O secretário frisou que seu sobrinho, filho de Torben Grael, com equipamento infinitamente superior não obteve a mesma performance do iatista revelado no projeto. Além de fazer brilhar os olhos dos atentos alunos da Barra, o relato do secretário acabou por sugerir o potencial competitivo bastante presente no iatismo.

A coordenadora do Navega São Paulo em Barra Bonita, Juliana Périco Abel, destacou que o compromisso não é o de formar medalhistas. Em seguida, Abel enfatizou que futuros atletas são muito bem-vindos. “Os monitores estão preparados para observar aqueles que se destacarem, que terão todo o apoio”, revela. Segundo Abel, seria ótimo para a cidade sediar provas de iatismo e outras modalidades náuticas, interesse que já aguçou a competitividade típica na faixa etária a que se destina o Navega São Paulo.