Frente à elevação do custo de vida e ao longo período de arrocho salarial, economizar R$ 5 mil já é um feito quase heróico para a maioria dos trabalhadores. Atualmente, a proeza é tão difícil de conquistar quanto é complicado definir onde o montante deve ser aplicado. Caderneta de poupança, fundo de investimentos em renda fixa ou em ações?
A resposta divide até mesmo economistas e quem trabalha no ramo. Como, à revelia dos esforços, o montante não é expressivo, até a poupança - cujo rendimento é o mais baixo dentre todas as aplicações (varia de 0,5% a 0,8% ao mês) - tem adeptos. Um deles é o economista Fernando Pinho, para quem outros investimentos devem ser avaliados apenas por quem tem mais de R$ 20 mil.
Ele lista algumas desvantagens arcadas por pequenos investidores que optam pelos fundos de renda fixa. Entre elas está a taxa de administração cobrada pelos bancos, que pode chegar a 4% ao ano. Tem ainda a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
“Neste caso é 0,38% quando (o montante) sai da poupança para o fundo e mais 0,38% se ele (o investidor) for utilizar o dinheiro para alguma coisa. Depois (da migração), ainda incide Imposto de Renda”, explica Pinho.
Outro problema do fundo de renda fixa é a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), recolhido quando o investidor saca os recursos antes do aniversário de um mês da aplicação, acrescenta o gerente geral da Caixa Econômica Federal, Vanderson Vieira Freddi.
“A partir de R$ 20 mil é um bom valor para se aplicar. Menos do que isso (o investidor) vai ter um rendimento, mas a diferença é muito pequena. A poupança é mais prática”, explica. Não bastassem as dificuldades, poucos bancos oferecem fundos de investimento de renda fixa para um valor “tão baixo”. Além do mais, eles são mais voláteis do que a poupança.
“Neste caso, a pessoa tem de acompanhar muito (a aplicação). Pode ganhar mais ou perder mais também”, reitera a gerente de mercado da Caixa, Roseli Maranghetti. O risco é ainda maior para quem decide optar pelo fundo de investimento em ações.
“A pessoa tem que ter um pouco de frieza. A rentabilidade pode cair até se tornar negativa, e a pessoa resgatar menos do que aplicou. Pode até ser uma boa política, desde que o investidor não precise desse fundo de uma hora para outra. Precisaria também escolher bem as ações. Nem todas têm boa rentabilidade. Ele pode ganhar muito e também pode fazer com que a carteira vire pó”, conclui Pinho.
Compra à venda x poupança
O rendimento baixo da caderneta de poupança é incontestável. Portanto, vale muito mais a pena comprar à vista do que largar o dinheiro rendendo tão pouco, orienta o economista Fernando Pinho. Na opinião dele, o brasileiro só deve pagar juros em caso de extrema emergência.
“É muito melhor comprar à vista do que pagar no crediário, onde a taxa de juros, no mínimo, varia entre 3% e 4% (ao mês). A poupança paga entre 0,7% e 0,8% ao mês. A pessoa está fazendo um péssimo negócio”, alerta.