O barulho que irrita e tira o sono dos outros não é o pior a acontecer com quem ronca. Pessoas que sofrem desse distúrbio do sono, muitas vezes sem perceber, acordam diversas vezes à noite. O resultado é, no dia seguinte, irritação, falta de atenção e problemas de memória, entre outros.
O pneumologista Maurício Bagnato, da Clínica do Sono do Hospital Sírio-Libanês e do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que o ronco ocorre por uma dificuldade de passagem do ar pelo sistema respiratório.
Além do barulho, o dano para a saúde é grande e pode, em casos de apnéia - estágio mais avançado e grave do ronco, com paradas respiratórias - até levar a um acidente vascular cerebral.
Um dos fatores desencadeantes da apnéia é a obesidade. Nesse caso, cria-se um círculo vicioso, já que o distúrbio é causado pelo excesso de peso e favorece a obesidade. Para esses pacientes, o ideal é perder peso. O álcool também atrapalha a respiração e deve ser evitado.
Segundo Bagnato, a sonolência sentida por alguns roncadores é resultado dos despertares de madrugada. Eles podem chegar a centenas, sem que a pessoa perceba. “Isso atrapalha a concentração, causa irritação e sonolência’’, avisa. Em casos leves do distúrbio, mudar de posição acaba com o ronco.
Especialista em medicina do sono, Alberto Jorge Remesar Lopez diz que não é preciso se conformar com o ronco, que tem cura. Lopez conta que a primeira coisa a fazer com o paciente que ronca ou tem apnéia é, após levantar seu histórico familiar, submetê-lo a uma polissonografia (exame que registra as funções corporais enquanto se dorme).
Segundo o médico, durante o exame é levantado não só se a pessoa ronca, mas se tem microdespertares ou apnéia.
Em casos menos graves, diz, um aparelho intra-oral, com acompanhamento de um dentista, é suficiente para acabar com a sinfonia à noite. Para os que sofrem de apnéia é recomendado o Cpap, aparelho de ar sob pressão que mantém a faringe aberta, fazendo com que a pessoa não acorde e não sofra dos efeitos colaterais ligados ao ronco, como irritabilidade, cansaço, sonolência, falta de atenção, ansiedade, sintomas de depressão e, em certos casos, problemas sexuais.
Operação para acabar com o distúrbio não é consenso entre os especialistas. Bagnato diz que até hoje foi feito apenas um estudo sobre a incidência de ronco no Brasil, em 1994 na Unifesp, do qual participou. Foram observados 1.000 paulistanos e constatou-se que 26% dos homens com idades entre 20 e 40 anos roncam. O índice sobe para 36% dos 40 aos 70 anos. Já entre mulheres, 9% roncam dos 20 aos 40 anos e 24% dos 40 aos 70.
*Lívia Sampaio e Eduardo vallim