10 de julho de 2026
Saúde

Diarréia é bem mais comum em crianças menores de cinco anos

Agência Notisa
| Tempo de leitura: 2 min

Pesquisa mostra que o aleitamento artificial nos primeiros meses de vida aumenta o risco da criança apresentar diarréia e que o óbito está relacionado à gravidade da situação clínica.

A diarréia é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em bebês e crianças com até cinco anos de idade, principalmente nos países mais pobres. Levantamentos conduzidos em 60 países em desenvolvimento mostram que uma criança sofre em média três episódios de diarréia anualmente e que mais de um terço de todos os óbitos em menores de cinco anos estão associados à sua ocorrência. Com o objetivo de descrever as características clínicas e epidemiológicas de pacientes pediátricos com diagnóstico de diarréia aguda e choque (falta de circulação do sangue) e identificar fatores associados ao óbito na evolução da internação, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas analisaram 71 crianças internadas na unidade de terapia intensiva do Hospital das Clínicas da universidade.

De acordo com artigo publicado na edição de julho/agosto da Revista da Associação Médica Brasileira, “fatores sócio-econômicos, como superpopulação, condições sanitárias precárias, contaminação da água e higiene inadequada dos alimentos, além de baixo nível de educação materna e baixo peso ao nascer, estão associados à alta incidência de diarréia em crianças”. No estudo, foram utilizadas as informações dos prontuários de cada paciente.

Os pesquisadores observaram que a diarréia aguda com choque atingiu preferencialmente lactentes jovens, em aleitamento artificial, e com alta letalidade. “Os episódios de diarréia aguda concentram-se, principalmente, na faixa etária de 0 a 5 anos de idade, com apresentação de maior gravidade nas crianças abaixo de 12 meses de idade. No estudo, 69 pacientes apresentavam idade abaixo de 12 meses, com maior envolvimento dos menores de 3 meses. Além disso, considerando que apenas oito crianças estavam recebendo aleitamento materno no momento da internação, pode-se afirmar que este grupo de pacientes internados por doença diarréica aguda grave tinha como característica a alimentação artificial”.

A taxa de mortalidade foi de 21,1% e teve forte associação com o uso de bicarbonato, de drogas vasoativas e ventilação pulmonar mecânica. Segundo a equipe, a taxa maior de óbito neste grupo de pacientes provavelmente esteve relacionada à gravidade da situação clínica: “esta terapêutica é dirigida para pacientes com perfil de gravidade clínica extrema, em que medidas usuais de administração de líquidos e antibioticoterapia não surtem efeito”. Diante desse quadro, os cientistas reiteram no artigo a importância do aleitamento materno.