08 de julho de 2026
Politicando

Palavras e seus odores


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O professor do famoso Ginásio da Bahia, Ernesto Carneiro Ribeiro, criticou o senador Ruy Barbosa por este não ter usado as expressões “vida privada” e “pessoa privada” no Código Civil. Eis a justificativa de Ruy, no primeiro volume de sua réplica, dirigida aos senadores em 1902: “Nas locuções adjetivadas, esta palavra tem uma predominância que recorda à nossa orelha o substantivo “privada”, com todas as suas acepções necessárias e atuais, de secreta, comua, latrina, sentina, cloaca e retrete. Razão tinha o poeta Lamartine ao dizer para Vitor Hugo que ‘as palavras tem seus odores’. Vejo que o Brás Cubas, de Machado de Assis, não era menos delicado. Por duas vezes em suas Memórias refugou aquela adjetivo, escrevendo e reescrevendo vida particular. Eu estou com Brás Cubas e opino que a linguagem do Código Civil não deve mais ser complacente com os cheiros suspeitos”. (Rui Bertoti)