O ensino brasileiro, principalmente no nível médio, vem sofrendo grandes alterações nas últimas décadas. A palmatória deu lugar a professores interativos, uso de computadores e até mesmo aulas 3D, onde o aluno pode ter Júpiter ao alcance dos dedos. Tudo perfeito, não fosse pela ainda decadente e cada vez pior rede do ensino público brasileira. Isso para não comentar sobre os muitos que vêem na escola apenas um sonho distante.
Tem-se falado muito da “burrice” dos vestibulandos, visto que em todo o País a banca corretora das provas de vestibular é bombardeada por enxurradas de erros gramaticais, frases mal elaboradas, interpretações distorcidas de notícias etc. É muito fácil criticar os alunos, mas o problema vai muito além. O próprio vestibular já constitui um erro, selecionando “os mais preparados” através de testes que praticamente aluno nenhum do ensino público possui condições de resolver.
Não adianta criticar a cobertura de um prédio se o que está errado são seus pilares de sustentação. Da mesma forma, pouco vale frisar os erros grosseiros de vestibulandos se nada for feito para prepará-los melhor, com uma educação de qualidade desde os primórdios do aprendizado. Estudantes ruins se tornam péssimos profissionais, contribuindo apenas para manchar o nome do Brasil e fazê-lo regredir ao invés de caminhar para o progresso e desenvolvimento. Essa, sim, é a lição mais importante de todas - infelizmente, nesse sentido, o País ainda nem passou do maternal. (Daisa Pastrelo Giraldi - RG. 35.181.085-7)