Rio de Janeiro - A retirada das tropas do Exército das favelas no Rio foi concluída ontem. Depois de desocupar as comunidades da Providência e da Mangueira no domingo, os militares retiraram suas tropas das favelas de Manguinhos, Jacarezinho e Borel, na zona norte, e do Metral, em Bangu, zona oeste, segundo o Comando Militar do Leste.
Uma metralhadora pertencente ao Exército foi encontrada pela Polícia Militar (PM) ontem em Manguinhos pouco após a saída das tropas. De acordo com a PM, a metralhadora foi abandonada por um grupo de homens que fugiu. Foram apreendidas também o carregador da arma e munição, além de maconha.
Na nova fase da operação em busca das armas roubadas de um quartel em São Cristóvão, no último dia 3, o Exército ocupou ontem os acessos da favela do Dendê, na Ilha do Governador, e da Vila dos Pinheiros, no complexo da Maré, próximo da Linha Vermelha, um dos principais acessos do Rio. Nas duas operações foram utilizados cerca de 200 homens.
No Dendê, segundo moradores, houve um tiroteio pela manhã. Os militares ocuparam a região depois das 12h. O cerco, de acordo com o Comando Militar Leste, foi para cumprir mandados e busca e apreensão.
A alteração dos trabalhos foi motivada pela mudança no perfil da operação, que deverá ser mais “seletiva e pontual” de acordo com o Exército, e pelo fim do prazo dos mandados de busca e apreensão. A partir do cruzamento de dados das investigações, a operação deverá ser realizada por meio de ações pontuais de inteligência do Exército.
Anteontem, a retirada dos militares do morro da Providência foi comemorada com queima de fogos pelos traficantes da favela. Com a mudança, a operação deve perder a característica de “presença maciça” em áreas da cidade. O Exército afirma que os trabalhos terminarão apenas quando as armas forem encontradas. Moradores acusaram os militares de violência.
De acordo com o Comando Militar do Leste, os casos relatados serão apurados. Militares e criminosos entraram em confrontos em diversas ocasiões, desde o início da operação. O mais intenso ocorreu no último dia 10, quando quatro pessoas ficaram feridas no morro da Providência, entre elas um bebê. No dia 6, um rapaz de 16 anos foi atingido por um tiro e morreu no morro do Pinto, enquanto observava a ocupação no vizinho da Providência.
Para realizar a operação em busca das armas, o Exército obteve mandados de busca na Justiça Militar. No total, dez morros e favelas foram ocupados pelo Exército desde o dia 4. O menor baleado no antebraço esquerdo na sexta-feira no morro do Pinto, em frente ao morro da Providência, segue internado. Genilson dos Santos Batista, 12 anos, está no hospital Souza Aguiar e passa bem.
Avaliação
Onze dias depois do início das operações do Exército no Rio, o chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste, general Hélio Chagas de Macedo Júnior, classificou hoje de “muito bom” o resultado das ações das tropas na cidade. “Não sei como avaliar. Ótimo seria se encontrasse as armas. Mas o resultado como comentamos antes... Pode ser muito bom? Então, considero muito bom”, disse.