Os bauruenses e demais brasileiros que possuem cidadania italiana poderão eleger, pela primeira vez, representantes da América do Sul para o Parlamento italiano. As eleições que renovarão a Câmara dos Deputados e o Senado da Itália acontecerão no mundo inteiro, pelo correio. Para o colégio eleitoral da América do Sul, os votantes poderão escolher três deputados e dois senadores que terão os mesmos direitos daqueles eleitos na Itália. Ao todo, 15 brasileiros - ou italianos que residem no País - disputam aos cargos.
Como a colônia de italianos e pessoas com dupla cidadania no mundo é grande, o país dividiu o globo em quatro colégios eleitorais e cada um poderá escolher seus representantes. A América do Sul compõe um colégio com cerca de 860 mil votantes. A Europa, excluindo a Itália, é outro, com quase 2 milhões de pessoas aptas a votar. Fazem parte do terceiro colégio África, Ásia, Oceania e Antártica, com 179 mil votos. A América do Norte e a América Central participarão das eleições com 309 mil votos.
Em Bauru, algumas pessoas que possuem o direito de participar da eleição italiana desconheciam a novidade. Ana Maria Vannucci Tauil, italiana residente na cidade, disse que só ficou sabendo da possibilidade quando recebeu uma carta de um candidato. “Se não fosse isso, não teria ficado sabendo”, conta. Ela pretende conversar com os outros eleitores, para se inteirar sobre a votação. Para ela, o consulado poderia ter divulgado melhor a oportunidade.
Elisabeth di Jesu, que mora em Bauru possui dupla cidadania. Ela passa a maior parte do ano na Itália, onde mora a filha e o marido. Ela também não sabia da possibilidade de eleger sul-americanos para o Parlamento. “Vou votar num candidato brasileiro. Vou procurar saber quem é e votar naquele que condizer com as minhas idéias”, garante.
O Consulado Geral da Itália disse não saber o número de italianos ou pessoas com dupla cidadania que residem no Brasil e possuem direito ao voto. Segundo estimativas do Ministério do Interior da Itália, são cerca de 220 eleitores na América do Sul - metade dos eleitores em potencial da Argentina. Por isso, a preocupação dos candidatos brasileiros.
O país vizinho possui um terço do número de descendentes de italianos, mas contam com quase o dobro de pessoas com dupla cidadania. “A colônia na Argentina é mais ativa e politizada, por isso a preocupação é que eles possam eleger quase todos os representantes da América do Sul”, explica o bauruense Henrique Battistutta, delegado regional da Câmara Ítalo-Brasileira do Comércio e Indústria (Italcam), que está divulgando a eleição. Para evitar que isso aconteça, os candidatos além de realizarem a campanha, ainda têm a missão de divulgar a disputa.
Os candidatos
O eleitorado está basicamente dividido entre duas grandes coligações: a Unione e a CDL (Casa delle Libertá). No Brasil, a primeira apóia o candidato a primeiro-ministro Romano Prodi e reúne os partidos de centro-esquerda. O candidato já foi primeiro-ministro e também foi presidente da Comissão Européia. A CDL, liderada pelo atual primeiro-ministro Berlusconi, reúne os partidos de centro-direita.
No Brasil, os candidatos da Unione são Edoardo Pollastri, para o cargo de senador, e Fabio Porta e Natalina Berto para a Câmara dos Deputados.
Os partidos da coalizão pró-Berlusconi no país apresentaram candidatos próprios. O Forza Italia disputa com um candidato ao Senado e outro à Câmara.
O Tremáglia conta com três brasileiros disputando as vagas para deputado e um para o Senado. A UDC e o Lega Nord disputam com um candidato a deputado cada um. Já a Udeur possui três candidatos a deputado e um a senador e a Associazoni Italiane in Sud America está em campanha com dois candidatos a senador e dois a deputado.