10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Compulsão responde por 10% dos atendimentos no Procon

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

A compulsão por compras afeta cerca de 1% da população mundial, segundo a Associação Americana de Psiquiatria. O desejo incontrolável de consumir, de acordo com psicólogos e especialistas, é comum entre homens e mulheres, uma forma de compensar a baixa estima. O problema é que a compulsão pode levar a endividamento. O coordenador do órgão de defesa do consumidor, o Procon em Bauru, Amauri Carlos Guadanhim Roma, revela que 10% dos 60 atendimentos realizados por dia na agência são a pessoas que gastaram mais do que permitiam suas rendas.

“Quando o consumidor alega que não tem dinheiro para pagar, não temos o que fazer por ele. A legislação não favorece o inadimplente. Damos orientações para ajudá-los a sair da situação. Alertamos no sentido de não agir por impulso no momento de efetuar as compras”, diz.

Frente a campanhas publicitárias, quem é compulsivo por comprar não pensa duas vezes antes de adquirir o produto ofertado, precisando ou não do bem. Para essas pessoas, pagar não é problema, mesmo que não tenham dinheiro no momento. O cartão de crédito ou o cheque pré-datado acabam sendo alternativas. Sem perceber, acabam gastando mais do que ganham e tornando-se candidatíssimas ao endividamento.

Roma percebe entre os consumidores uma forte atração pelas promoções, o que pode explicar o desequilíbrio financeiro de muitos deles. No entanto, o cartão de crédito, destaca ele, é o que mais tem levado o consumidor ao débito.

A maioria, conta Roma, faz a compra - às vezes desnecessária - no cartão e, no final do mês, paga o valor mínimo da fatura. “Os juros de cartão de crédito é um dos mais altos praticados hoje no País. Então, o débito real do consumidor cresce assustadoramente, mas ele não consegue perceber”, comenta.

O consultor financeiro Emanuel Gonçalves da Silva, autor do livro “Como Negociar Dívidas”, diz que a atitude de gastar sem limite é a principal característica do consumidor compulsivo. Entre oito comportamentos que ele define como típicos de pessoas que gastam além da conta (veja quadro), Silva considera como consumidor compulsivo aqueles que apresentam três ou mais características de sua lista. Entre elas, estão a falta de planejamento financeiro, o freqüente uso de cartões de crédito e talões de cheque, e o hábito de gastar além do que ganha.

“Com esses comportamentos, você está dando toda a oportunidade do mundo para ser uma pessoa descontrolada financeiramente. O compulsivo faz contas inconseqüentemente, compra sem dinheiro. Antes de receber o pagamento, gasta todo o salário”, observa.

A solução para essas pessoas saírem do endividamento, acredita Silva, é a radicalização. Ele orienta os consumidores a evitar os talões de cheques e, no caso dos cartões de crédito, ficarem apenas com um, preferencialmente o de menor limite bancário, além de procurarem deixar de contrair dívidas sem necessidade.

“É preciso fazer um planejamento orçamentário. A pessoa só deve gastar aquilo que ganha e deixar de viver do crédito para não correr o risco de ficar com o nome sujo”, completa o consultor, referindo-se à possibilidade de o nome do consumidor ser inserido no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Dia do Consumidor

Hoje é o Dia Internacional do Consumidor. Em comemoração à data, a Diretoria Regional dos Correios São Paulo Interior realiza o treinamento “Como tratar bem seu cliente”. A palestra será ministrada no auditório da diretoria dos Correios, em Bauru.

Na próxima sexta-feira, o Procon, também em comemoração ao Dia Internacional do Consumidor, promove na Casa do Advogado, em Bauru, duas palestras. Uma via abordar a importância dos Procons municipais na defesa dos direitos dos consumidores e a outra, o banco de dados das empresas que não atendem às reivindicações do Procon.

O evento está programado para começar às 9h, com entrada gratuita. No entanto, é preciso fazer reserva de vagas pelos telefones: (14) 3234-4558, 3234-8493 e 3234-9632.

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Doença

De acordo com a psicóloga Alessandra Regina Sanchez Primo, a compulsão por comprar está relacionada com o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e é considerada uma doença. O ato de comprar compulsoriamente, conforme ela, é uma forma da pessoa aliviar uma tensão interna.

“Esse comportamento é conseqüência de uma ansiedade muito grande, às vezes, de medo também. Esses rituais acabam aliviando essa ansiedade, pelo menos por um tempo”, explica Sanchez. A psicóloga esclarece que a pessoa tem consciência de que não precisa de nada, mas não resiste ao ato de comprar.

Segundo ela, o excessivo consumo de roupas, por exemplo, está ligado à baixa auto-estima e à insegurança. Em outros casos, conforme a psicóloga, o que leva ao consumo compulsivo é o medo de alguma coisa ruim acontecer com ela ou com alguém muito próximo. “É uma doença curável, mas a pessoa precisa de medicação e terapia para resistir ao momento do comprar.”

Sanchez ressalta que o consumidor compulsivo só passa a admitir que está doente e precisa de tratamento, quando percebe que seu dia-a-dia, como no convívio familiar e no trabalho, por exemplo, estão sendo prejudicados.

A compulsão, diz a psicóloga, é comum entre o sexo masculino e feminino. No entanto, quem mais procura por ajuda são as mulheres.