Os constantes aumentos no preço do álcool e da gasolina provocaram queda nas vendas dos combustíveis nos postos da cidade. Em alguns estabelecimentos, logo após os reajustes as vendas chegam a cair até 20%. “Nós estamos pagando gasolina a US$ 1,2, sendo que a média histórica é de US$ 0,7”, aponta um diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) que prefere não se identificar. Segundo ele, o preço médio praticado hoje em Bauru é R$ 2,57 o litro da gasolina. Com as distribuidoras vendendo o litro do combustível a R$ 2,26, o lucro de R$ 0,30 por litro é destinado aos salários dos funcionários, energia elétrica, água, segurança e gastos com operadoras de cartão de crédito.
Com esses cálculos, a gasolina encarece e o consumidor, foge. Nos estabelecimentos do comerciante, as vendas caíram 20%. Mesmo percentual de um posto na avenida Duque de Caxias, na região central. “Chegamos a ter uma redução de 20%, mas agora estabilizamos em 15%”, aponta um funcionário do local. Gerente de um posto na Vila Pacífico, Basílio da Silva aponta que a redução no estabelecimento que dirige foi mais acentuada nas vendas de álcool.
“Diminuiu bastante. Não tenho nem base de quanto foi, mas se continuar a subir, vai ficar muito pior a nossa situação”, lamenta. De acordo com o gerente, os proprietários de carro flex contribuíram para essa redução ao aumentarem o consumo de gasolina. Um posto de combustíveis na Vila Souto também apontou a queda nas suas vendas. “O preço sobe, mas abastecer o carro é uma necessidade. As pessoas dependem do carro para trabalhar”, pondera um funcionário do estabelecimento.
Ele também confirma uma queda maior nas vendas de álcool. “Com o álcool nesse preço, quem tem carro flex está colocando gasolina”, diz. Para o dirigente do Sincopetro, os carros que podem ser abastecidos tanto com álcool, quanto gasolina não apresentam nenhuma vantagem. “Eu fazia as contas para quem pedia e mostrava que não valia a pena. Quem tem carro flex hoje, está perdendo dinheiro”, aponta.
Segundo o diretor Sincopetro, o valor do litro do combustível depende de uma série de fatores.
Um dos itens mais encarecedores, diz, é o cartão de crédito. Cerca de 50% das vendas dos estabelecimentos do dirigente são pagas dessa forma. “Cobramos o preço à vista e só vamos receber do banco 31 dias depois da venda. Além disso, eu pago R$ 50 mil ao mês para poder oferecer essa forma de pagamento aos clientes”, calcula o comerciante. As vendas em dinheiro não ultrapassam 10% e o restante é em cheque. “E o número de cheques que voltam é assustador”, revela.
Segundo o dirigente, a cada litro de gasolina vendido, as operadores ficam com R$ 0,11. Geralmente, a margem de lucro de um proprietário de posto de gasolina é R$ 0,30 e eles têm que tirar dessa margem os gastos com cartão de crédito, com os funcionários e a manutenção do estabelecimento.
De acordo com o dirigente, as distribuidores estão vendendo a gasolina a R$ 2,26 o litro. “Além disso, pagamos 54% em impostos ao governo”, destacou o comerciante.
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Pesquisa
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgou ontem o levantamento semanal que realiza em diversos municípios brasileiros sobre os preços dos combustíveis. Os preços foram pesquisados nos dias 7 e 9 de março em 50 estabelecimentos de Bauru, onde apresentam ligeira alta no preço mínimo, e dezenas da região.
No estado de São Paulo, o levantamento apontou que Matão vendia a gasolina mais cara, cobrando R$ 2,84 o litro, seguida por Ubatuba, R$ 2,819. Na região, a cidade com o litro mais caro ainda é Santa Cruz do Rio Pardo, onde a gasolina chegava a custar R$ 2,799 nas bombas. O litro mais barato está em Mauá, cidade da região metropolitana.
Já os motoristas de São Joaquim da Barra pagam pelo álcool mais barato. Nas bombas, o litro do combustível estava sendo vendido a no máximo R$ 1,710. Na região, o álcool mais caro estava sendo cobrado aos moradores de Garça, que apesar de pagar no máximo o mesmo que os motoristas de Bauru e Santa Cruz do Rio pardo, perdiam no preço mínimo, já que na cidade, o álcool mais barato era vendido a R$ 1,799.
Em todo Estado, o álcool mais caro é o de Jacareí, onde custava R$ 2,142 na última semana.