09 de julho de 2026
Regional

Filho de ex-prefeito é morto aos 23 anos

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Marília - O filho do ex-prefeito de Marília Abelardo Camarinha (PMDB), o estudante Rafael Camarinha, 23 anos, foi assassinado na manhã de ontem dentro de casa. Ele foi baleado na cabeça por volta das 8h e morreu oito horas mais tarde, no Hospital das Clínicas (HC).

Três suspeitos foram ouvidos ontem, mas nenhum havia sido preso até o início da noite. A investigação ficará sob a responsabilidade de uma equipe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que vem de São Paulo especialmente para acompanhar o caso.

Além de Rafael, a empregada da casa, Ana Aparecida dos Santos Manoel, 35 anos, também foi ferida com um tiro, mas sem gravidade. Ela foi atingida no ombro esquerdo e está fora de perigo. A preocupação agora é com a integridade física da empregada, já que ela é a única pessoa que viu os assassinos. Ana Aparecida está sob guarda policial e será uma das peças chaves durante a investigação.

Ela foi rendida por três pessoas que entraram na casa depois de pular o muro de aproximadamente dois metros de altura. Não existe cerca elétrica no local. Esse dispositivo de segurança fica apenas sobre o portão na frente da casa.

Os invasores pediram à empregada que os levassem até o quarto de Rafael. O estudante foi encontrado no corredor de acesso ao quarto. O tiro que o matou foi dado de cima para baixo, o que pressupõe que ele estava de joelhos ou agachado quando foi atingido.

Na saída, os criminosos ainda atiraram contra a empregada. Mesmo baleada e em estado de choque, ela conseguiu chamar a polícia. Rafael deu entrada no HC às 9h13, com parada cardiorrespiratória, segundo o diretor técnico do hospital, o médico Francisco Venditto Soares. O estudante foi reanimado e levado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu em coma profundo.

Em razão da gravidade do ferimento, a equipe de neurocirurgiões que atendeu o estudante optou por não realizar a cirurgia para a extração do projétil. O quadro clínico do paciente acabou se agravando, e Rafael morreu às 16h.

Execução

Aparentemente, nada foi levado da casa, o que reforça a tese de que a intenção dos criminosos era apenas a de matar Rafael Camarinha. Um dos suspeitos detidos ontem é Anderson Ricardo Lopes, que foi acusado de participação no incêndio que destruiu a Central Marília Notícias (CMN), em setembro do ano passado.

Em uma carta entregue à polícia, Lopes chegou a afirmar que teria sido contratado por Rafael Camarinha para incendiar a CMN. Dias depois, Lopes escreveu nova carta negando a informação e dizendo que havia sido pressionado para acusar Rafael.

A polícia chegou a pedir a prisão preventiva do filho do ex-prefeito, mas a Justiça negou.

Embora a equipe do DHPP, chefiada pelo delegado Tadeu Rossi, ainda não tenha dado nenhuma indicação de como serão conduzidas as investigações, é inevitável a associação do crime com o incêndio do ano passado.

O ex-prefeito foi até a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) no início da tarde de ontem cobrar a prisão do delegado seccional, Roberto Terraz, do jornalista José Ursílio, editor do jornal “Diário de Marília”, e de Carlos Francisco Cardoso, dono da CMN.

Segundo Camarinha, eles teriam sido os responsáveis pela morte do filho. “A polícia já havia sido avisada que estávamos sendo ameaçados e nada fez. O senhor Terraz, Ursílio e o Cardoso são responsáveis e suspeitos pela morte de meu filho. O primeiro por nada fazer pela garantia da segurança de minha família, além de tentar envolvê-la nesse crime (incêndio). Os outros dois pelos ataques que fazem à minha família em seus veículos de comunicação”, disse o ex-prefeito à Folhapress.

Ele fez a mesma acusação para os repórteres que estavam na frente da DIG, ontem à tarde, quando o ex-prefeito foi até o local. Transtornado, Camarinha exibiu muita revolta com a situação de seu filho, que ainda estava vivo, embora o quadro clínico e neurológico do estudante fosse considerado gravíssimo.

Camarinha estava em São Paulo com o filho mais velho, o deputado Vinícius Camarinha (PSB), quando ficou sabendo do crime. Ele retornou a Marília de avião. A mãe de Rafael, Paula Almeida, também não estava em Marília, segundo apurou a reportagem.

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Para manter a ordem

Marília - A equipe de investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) chegou a Marília por volta das 20h30. Eles foram direto para a DIG e entraram sem dar qualquer declaração aos repórteres de plantão no local.

O diretor do Departamento de Polícia Judiciária-4 (Deinter-4), Roberto de Mello Annibal, explicou que a investigação foi passada para o DHPP por ser um órgão mais “isento”. “Foi para evitar desgastes. Porque, evidentemente, a família Camarinha não vai confiar no trabalho da polícia de lá (Marília)”, justificou o diretor, fazendo referência às investigações sobre o incêndio à Central Marília Notícias (CMN).

O delegado seccional Roberto Terraz acredita na participação de Abelardo Camarinha no incêndio por causa das seguidas críticas que a empresa vinha fazendo à atuação do ex-prefeito. “Para evitar troca de ofensas, confusão e para manter o bom nome da polícia, nós solicitamos a participação de um departamento que é especializado em homicídio”, alega Annibal.

Apesar de todo esse cuidado, o diretor reconhece que a medida poderá desagradar os investigadores de Marília. “Num primeiro momento, eles devem ficar um pouco chateados porque esse (a investigação) é o serviço deles. Mas eles vão acabar entendendo que isso é o melhor para garantir a ordem pública e a paz interna durante as investigações”, comenta.