Aos 38 anos, um servente de pedreiro acusado de estuprar a própria filha de 12 anos foi preso ontem. No inquérito, ele também responde por atentado violento ao pudor, crime que estaria cometendo há mais de um ano, segundo o relato da própria garota.
Sob ameaça, ela tentou, o quanto pôde, esconder a situação da mãe. Mas seu comportamento triste e por vezes até revoltado levantou em casa. “Eu tirei as crianças (os três irmãos da vítima), peguei a cinta e disse que se ela não me contasse, iria apanhar. Aí ela falou”, conta a mãe, que acionou a polícia.
A confissão da menina foi confirmada pelo exame de corpo de delito, requerido pela Delegacia de Defesa à Mulher (DDM). Segundo o exame, a garota não é mais virgem, informa a titular da delegacia, Rejani Borro Tiritan. Mas bem antes da relação sexual ser consumada, a adolescente era molestada. Tanto que, em setembro do ano passado, um inquérito já havia sido instaurado na DDM.
Primeira vez
Na ocasião, a menina também foi submetida ao exame, mas o hímen ainda estava intacto. Da primeira vez que foi encaminhada à polícia, a garota contou à mãe que, durante a noite, acordava com o pai a tocando nos seus seios ou fazendo sexo oral.
“Nós fomos à polícia, ele ficou dois dias fora e depois voltou. Eu já estava tentando me separar dele. Vivíamos como dois irmãos. Depois, ele foi trabalhar em Agudos e voltava nos finais de semana”, conta a mãe. A atenção dela foi redobrada, quando ele voltou a morar com a família. Na madrugada de ontem, ela acordou no meio da noite e percebeu o marido muito próximo da filha, no sofá.
Depois que amanheceu, só de olhar para a filha, a garota desatou a chorar. Disse para a mãe que estava com dores nas nádegas por causa de um furúnculo. “Mas olhei e não tinha nada”, conta a genitora. De acordo com ela, sua filha lhe sugeria abandonar a cidade para fugir do pai. Chegou também a comentar que não tinha mais vontade de viver. Ontem, as duas se diziam aliviadas.
Os nomes delas e do homem, assim como o endereço, foram preservados para evitar constrangimento à garota, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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Negativa
O servente de pedreiro acusado de estuprar a própria filha nega todas as acusações contra ele. No entanto, teve a prisão preventiva decretada por 30 dias e foi encaminhado à cadeia pública de Avaí, informa a titular da DDM, Rejani Borro Tiritan.
Poderão pesar contra ele as declarações de uma vizinha, que o teria flagrado com a mão dentro da calcinha da filha mais nova, na época com 5 anos. A situação foi relatada à mãe das garotas que, embora preferisse não acreditar, ficou atenta. Ela só não confirmou antes suas suspeitas contra o marido porque, além de ameaçar a garota, lhe prometeu uma sandália e um celular.
“Quando ele falava isso para mim, eu dizia que se ele aparecesse com uma sandália, eu a rasgaria inteira. Mas só eu da minha classe não tenho celular”, comenta a menina que cursa a 6.ª série do ensino fundamental.
“Ela tinha medo de ficar sozinha em casa com ele”, acrescenta Rejani. De acordo com a delegada, a Polícia Civil prendeu o servente de pedreiro por meio da DDM e com o apoio do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). Outros cerca de dez casos da mesma natureza, registrados só neste ano, estão sendo investigados pela DDM.
A pena para o crime de atentado violento ao pudor e estupro é o mesmo: de seis a dez anos de reclusão, cada um deles.