10 de julho de 2026
Política

‘Alckmin tem paciência de anestesista’

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 3 min

A novela que foi o processo de escolha do candidato à Presidência da República pelo PSDB foi acompanhada de perto pelo deputado estadual Pedro Tobias. Ele contou ao Jornal da Cidade que a principal arma utilizada pelo governador para sacramentar a candidatura foi a paciência. “Em nenhum momento ele pensou em desistir e tinha certeza de que seria candidato”, destacou.

Amigo do governador Geraldo Alckmin, Tobias conta que ele se manteve calmo durante todo o processo de escolha. “Nós é que ficávamos nervosos e o governador nos acalmava”, afirmou.

Para o deputado, Alckmin incorporou sua condição de médico anestesista como estratégia. “Na hora da cirurgia, se há alguma complicação, é sempre o anestesista que mantém a calma e passa tranqüilidade aos demais”, explicou o deputado, que também é médico.

O momento de maior tensão nos três meses que antecederam a definição do nome de Alckmin foi quando o “triunvirato” tucano - formado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pelo governador de Minas Gerais Aécio Neves e pelo presidente nacional do partido Tasso Jereissati - se encontrou em restaurante na capital do Estado com o prefeito de São Paulo, José Serra, sem que o governador e outros membros do partido estivessem presentes.

Pedro Tobias afirma que nessa hora ficou a impressão de que o racha no partido seria inevitável. “Não foi muito correto o que eles fizeram, mas ainda assim o governador não se alterou e manteve-se firme”, lembra.

Unidade

A perda da unidade partidária, tão temida pelos caciques tucanos, não era uma preocupação de Alckmin, de acordo com Tobias. O deputado conta que o governador sempre usava como exemplo as prévias para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, onde a disputa é mais acirrada no processo antes das eleições. “É a maior briga e depois eles se unem”, disse.

Segundo Tobias, havia consenso entre os aliados do governador que disputar as prévias seria salutar. Na opinião dele, se a escolha recaísse sobre o “triunvirato” tucano não seria correto. “A prévia movimenta o partido. O partido não fica morto. Sou contra só os caciques decidirem, porque precisamos consultar as bases, de onde vem o voto”, ressaltou.

O maior temor dos tucanos era justamente que a necessidade de prévias desmobilizasse as bases partidárias, o que para Pedro Tobias não iria acontecer. De acordo com ele, no final das contas prevaleceu o que as bases partidárias queriam. “Foi feito o que as bases queriam, porque o general que não segue as tropas, perde as tropas”, salientou.

Para o deputado, o fato de o prefeito José Serra não ter ido ao anúncio da candidatura não significa que o partido está rachado. Ele acredita que na campanha Serra estará no palanque com Alckmin. “Se fosse o contrário, o governador apoiaria o Serra da mesma forma. Ninguém era contra o Serra, mas a hora é do Alckmin”, frisou.

O deputado lembrou ainda que a maior dificuldade vem agora, já que o partido tem a missão de colocar o nome do governador paulista no cenário nacional.