09 de julho de 2026
Internacional

Governo da Sérvia proíbe enterro de Slobodan Milosevic em Belgrado

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Belgrado - O ditador sérvio Slobodan Milosevic, encontrado morto no último sábado, será enterrado no sábado sob uma árvore em sua propriedade no leste do seu país, após o governo ter proibido que ele fosse enterrado com honras de Estado na capital, Belgrado. A informação foi dada ontem por seus antigos aliados e pela família.

O corpo do ditador chegou ontem de avião à Sérvia vindo da Holanda. Várias centenas de seguidores fiéis foram recebê-lo, e a polícia teve de abrir passagem pela multidão para que o caixão deixasse o aeroporto. O corpo ficará exposto a partir de hoje no Museu da Revolução, a alguns blocos do local onde ele foi preso, em 2001.

Com o veto, a viúva e o filho de Milosevic e seus correligionários socialistas optaram pelo jardim privado de sua família em sua cidade natal, Pozarevac, a 50 quilômetros da Capital. “Já que é impossível ter um funeral na Ala dos Grandes (em Belgrado), a cidade de Pozarevac estará honrada em aceitar seus restos mortais”, disse Milomir Ilic, líder do diretório local do Partido Socialista.

O local do túmulo de Milosevic é um complexo murado que inclui duas casas suntuosas, numa área de 1,6 hectare. O enterro contraria uma tradição local na qual os mortos devem ser enterrados em cemitérios. A propriedade tem estado praticamente deserta desde que Milosevic foi derrubado pelo movimento pró-democracia, em 2000. Mais tarde, foi extraditado para ser julgado por crimes de guerra.

Seu filho, Marko, e sua mulher, Mirjana Markovic, fugiram para a Rússia, enquanto a filha, Marija, se mudou para Montenegro. Até as 19h30 de ontem, não estava claro se a viúva e o filho poderiam comparecer ao funeral. O parlamentar russo Sergei Baburin, próximo da família Milosevic, disse que Markovic não viajaria à Sérvia porque as garantias de segurança eram “insuficientes”. A viúva é acusada de abuso de poder e corre o risco de ser presa caso volte ao país.

O médico russo Leo Bokeria, que examinou a autópsia de Milosevic, concordou com a conclusão de que ele morreu de infarto, mas disse que, se tivesse sido tratado em Moscou, provavelmente ainda estaria vivo. Bokeria integrou um time russo enviado à Holanda para examinar a autópsia, depois de Moscou ter tido que não confiava nas investigações sobre a morte do ditador.

A morte de Milosevic, que estava detido em Haia sob custódia do Tribunal Penal Internacional da ONU, provocou acusações e questionamentos. A sua família disse que ele foi assassinado, enquanto Moscou disse que ele não recebeu tratamento adequado, apesar da saúde precária. Os exames toxicológicos ainda não foram divulgados.