08 de julho de 2026
Cultura

Na intimidade

Por Adriana Fricelli | Com Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

Dona de si. Assim vem Maria Rita em “Segundo”, lançado no ano passado, em que a intérprete assina a produção musical com ninguém menos que Lenine. O CD foi alvo de severas críticas da mídia, mas não de público, que o posicionou em 8.º lugar na lista dos 40 álbuns mais vendidos, com saída de 125 mil cópias.

Mais emotiva e intimista, Maria Rita coloca o ritmo certo a canções de nomes como Chico Buarque, Edu Lobo e Marcelo Camelo (Los Hermanos), no show que Bauru poderá conferir amanhã, às 22h, no Bauru Tênis Clube. Após a apresentação, a noite prossegue com a apresentação da banda Bulevar.

A herança genética foi comprovada com o primeiro álbum. Filha de Elis Regina, Maria Rita foi o epicentro da mídia ao se lançar como cantora há três anos. Passado o alvoroço das comparações e rótulos, ela provou seu talento e obteve reconhecimento nacional e internacional, com três premiações no Grammy Latino de 2004 e duas no Prêmio Tim da Música do mesmo ano.

Entre um CD e outro, um filho, uma separação e a perda do amigo e antigo produtor Tom Capone. As turbulências da vida pessoal se refletiram na produção de “Segundo”. São músicas introspectivas, que seduzem pela suavidade da voz da cantora e, com certeza, emocionam.

Para o show em Bauru, a cantora faz surpresa. “Normalmente eu não digo o repertório do show para não estragar o roteiro, mas claro que tem canções do ‘Maria Rita’ e do ‘Segundo’”, adianta. Tudo indica que o público pode esperar por canções como “Caminho das Águas” e “Recado” do compositor Rodrigo Maranhão; “Casa Pré-Fabricada” e “Despedida”, de Marcelo Camelo; “Mal Intento”, do uruguaio Jorge Drex-ler, todas do segundo álbum, além dos sucessos “Encontros e Despedidas”, “Cara Valente” e “A Festa” do primeiro trabalho.

No palco, Maria Rita vem acompanhada pelos músicos Tiago Costa (piano), Sylvinho Mazzucca (baixo), Cuca Teixeira (bateria) e Da Lua (percussão). O show tem direção da própria cantora, com cenário de Beto Von Poser e Maria Rita e figurino de Fause Haten. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida por e-mail ao JC Cultura.

JC - Você acredita que o sucesso do seu trabalho de estréia e as críticas positivas que ele recebeu se traduziram em pressão na hora de gravar o segundo disco?

Maria Rita - Na verdade, no meu caso foi o oposto. Durante a gravação do primeiro trabalho, toda essa pressão existia, e eu percebia. Muita gente já vinha falando coisas a meu respeito, o que naturalmente gerou uma curiosidade em torno do disco. O lance de “se provar” veio no primeiro, neste eu já não senti a pressão, muito pelo contrário...

JC - “Segundo” parece um disco mais pessoal, íntimo. O objetivo era esse, ou foi o resultado de um processo natural?

Maria Rita - Mais ou menos os dois. Foi um processo natural porque era o momento em que eu me encontrava, principalmente no campo pessoal. Muita coisa aconteceu durante aqueles três primeiros anos, desde um casamento, uma separação e um filho, até a perda de um grande amigo (Tom Capone), assim como importantes decisões profissionais e pessoais. Tudo isso mexeu muito comigo. Mas só percebi o quanto na hora da escolha - intuitiva, diga-se de passagem - do repertório. Quando essa instrospectividade ficou mais clara para mim, o disco já estava no meio do caminho, com arranjos, mensagens e sonoridades mais intimistas.

JC - Dentro desse processo de elaboração do disco, como é Lenine como produtor?

Maria Rita - Lenine é um ídolo musical.

JC - Como você sentiu a reação das pessoas em relação a “Segundo”, já que a comparação com o primeiro disco era inevitável?

Maria Rita - Eu li bem pouco das críticas dessa vez, talvez uma autodefesa sabendo da possível agressividade da crítica. Mas eu acho que a real é que eu fiz o disco para mim e não para os outros. Fosse qual fosse a leitura final daquele momento da minha arte, eu não agradaria a todos. Eu sempre soube disso. Se eu gravasse “a mesma coisa”, eu estaria “adotando uma fórmula que fizera sucesso no disco anterior”; se eu mudasse completamente, eu seria “sem identidade”. Não teria como ganhar. Ao final das contas, estou muito contente e orgulhosa do que rolou.

JC - Você é uma tímida que domina o palco. O que mudou da turnê anterior para essa?

Maria Rita - Eu juro que não sei. Acho que cada pessoa que assiste ao show tem uma percepção diferente, e eu não assisti ao show! Então fica difícil responder essa pergunta. O fato é que, tantos shows depois, eu ainda sou tímida, eu ainda sinto um tremendo frio na barriga antes de entrar no palco, eu ainda tenho um pouco de medo, mas eu acho que sou mais dona de mim.

JC - A maternidade com certeza muda a maneira de uma mulher olhar o mundo e a si mesma. Como ela mudou sua vida e se reflete no seu trabalho?

Maria Rita - A maternidade me deu o luxo de ser menos paciente! Pode parecer estranho isso, mas a certeza das minhas qualidades e dos meus defeitos é tão forte que eu sinto um centro e um foco na vida em geral que ninguém pode mais me colocar para baixo, entende? Se não por mim, pelo meu filho. Isso pode parecer pequeno mas, na verdade, a mulher que é um bicho forte à beça, quando fica mãe, fica mais ainda. Pouco importam as teorias sociais e feministas. Pelo meu filho eu faço mesmo, seja o que tiver que fazer, eu faço e com muito orgulho.

JC – Nos seus trabalhos o público ainda não conheceu a compositora Maria Rita. Você se sente confortável para compor?

Maria Rita - Ai...sinto não...

JC - Além da divulgação do disco, há algum outro projeto para este ano?

Maria Rita - Tem o acústico d’O Rappa, que vira e mexe eu invado o palco deles, e um outro, mas que ainda guardo em segredo para manter olho gordo longe.

JC – E para o show aqui em Bauru, qual é a expectativa de retornar à cidade após quase dois anos?

Maria Rita - Eu na verdade nunca espero nada, senão corro o perigo de me desapontar. Eu exijo muito de mim e sei que vou dar tudo o que eu puder naquele dia, quando o show rolar. Me emociona a presença das pessoas por livre e espontânea vontade...

• Serviço Show de Maria Rita amanhã, às 22h, no Bauru Tênis Clube (rua Gustavo Maciel 12-33). Os ingressos estão à venda na Ótica Snel (rua Gustavo Maciel, 22-47), Seta Imóveis (rua Rio Branco, 21-17), Bulevar Bar (rua Rio Branco, 22-47) e BTC. Ainda há ingressos para cadeiras no setor A (R$ 50,00), B (R$ 40,00), C (R$30,00) e camarote para quatro pessoas (R$ 100,00 cada), todos com meia-entrada (50% do valor) para estudantes com comprovante e maiores de 60 anos. A meia-entrada será vendida apenas na Seta Imóveis. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (14) 3226-4437 e (18) 3623-8464. O show tem apoio do Jornal da Cidade e 96 FM.