30 de abril de 2026
Nacional

Festival de Curitiba tem diversas montagens com temas políticos

Folhapress
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A cidade do Rio de Janeiro é a grande representada no Festival de Teatro de Curitiba, cuja 15.ª edição tem início hoje. Das 19 peças da Mostra Oficial, oito são cariocas. Dessas, nenhuma representa o besteirol, as comédias de costumes ou os esquetes que dominam palcos do Rio. O que chama a atenção nessa safra é o modo como alguns núcleos artísticos buscam valorizar o intérprete e a dramaturgia para dar um sentido político - muitas vezes direto e explícito - ao espetáculo.

“Temos uma tradição com o humor, do teatro de revista ao besteirol, por isso a diversidade (com o drama, a tragédia) é sempre bem-vinda”, afirma o diretor Luiz Arthur Nunes. Ele assina o inédito “Fala, Zé!”, monólogo em que o ator José de Abreu, 59 anos, passa sua geração a limpo cruzando biografia e ficção. A dramaturgia passa pela militância política nos anos 60 (Abreu foi preso em congresso da UNE, pertenceu à Ação Popular e deu “apoio logístico” à VAR-Palmares, Vanguarda Armada Revolucionária). E pela militância, digamos, espiritual (o movimento hippie, as viagens lisérgicas, o desbunde). “É uma comédia ‘psicopoliticapsicodélica’”, diz Abreu.

O ator e diretor Gilberto Gawronski, 44 anos, vê “uma maior tomada de consciência da classe teatral”, o que em sua opinião se reflete esteticamente. Ele dirige a comediante Guida Vianna no drama “A Mulher Desiludida”, adaptação de uma novela da francesa Simone de Beauvoir. “Falta mais dramaturgia ao palco carioca, que vive da graça pessoal do ator, e não da palavra. Nosso palco está muito ligado à mídia, à TV”, diz Vianna.

Indicado na categoria masculina para a edição deste ano, Julio Adrão, 45 anos, apresentará em Curitiba o solo “A Descoberta das Américas”, do italiano Dario Fo. A peça do início dos anos 90 põe em xeque os processos de colonização, o domínio pela força. O sobrevivente de um naufrágio pára numa ilha onde é detido pelos nativos. Aos poucos, o sujeito inverte a situação e chega a liderar os índios no combate a invasores.

Autodefinido pela Companhia dos Comuns como um espetáculo seco, direto, sem metáforas, “Bakulo - Os Bem Lembrados” encontra sua força na palavra e na discussão de temas como a ocupação dos territórios, exclusão social e políticas para negros. Não por acaso, seu diretor convidado é Márcio Meirelles, do Bando de Teatro Olodum, de Salvador, que há 15 anos desenvolve projetos na mesma linha da afirmação da cultura negra.

• Serviço

15.º Festival de Teatro de Curitiba, de hoje ao dia 26. Ingressos: R$ 24 (mostra oficial) e de entrada franca a R$ 24,00 (Fringe) Mais informações: (41) 3016-3400 e www.festivaldeteatro.com.br.