08 de julho de 2026
Turismo

A torre que encanta


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Impossível, em Lisboa, é não tirar uma foto bem em frente à graciosa Torre de Belém. Ou atravessar a pontinha que leva a seu interior. A torre foi construída em 1515, em estilo manuelino (o gótico português), repleta de ornamentações e motivos náuticos como nós de cordas.

Foi construída como um forte, dentro mesmo do rio Tejo, quando o estuário era mais largo do que é atualmente. Ao contrário da impressão que se tem nos cartões-postais, a torre é pequena. Mais ou menos o tamanho de um predinho de três andares. Mas foi de lá que partiram as naus portuguesas que conquistaram tanta terra além mar e para onde retornavam incansáveis navegadores como “nosso” Pedro Álvares Cabral, que tem estátua na praça central.

Ao lado da torre, fica o Padrão dos Descobrimentos, construído em 1960 para as comemorações dos 500 anos da morte do infante Dom Henrique, “O Navegador”. Nas estátuas erguidas no Padrão identificam-se outras figuras marcantes da História nacional, como Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral, Fernão de Magalhães, Diogo Cão e Bartolomeu Dias.

A pé, da Torre e do Padrão do Descobrimento chega-se ao Mosteiro dos Jerônimos ou Jerónimos, como se fala em Portugal. Construído no primeiro ano do século 16, com dinheiro proveniente do comércio da pimenta e especiarias da Índia, este mosteiro é – juntamente com a Torre de Belém – um dos monumentos mais representativos do estilo manuelino (lembra-se de Dom Manuel, “O Venturoso”) –, que mistura ao gótico contemporâneo a utilização de elementos marítimos.

Merecem destaque a igreja e as fachadas, o claustro e as portas sul e ocidental, ricamente ornamentadas. Dentro do templo pode-se encontrar os túmulos de Luís de Camões, o maior poeta épico português, e de Vasco da Gama, descobridor do caminho marítimo para a Índia. E também a de Dom Sebastião, vazio, já que seu corpo nunca retornou da batalha de Alcácer-Quibir. Dizem os portugueses que algum dia ele vai voltar sentado num cavalo branco...

No claustro está o túmulo do grande poeta português do século 20, Fernando Pessoa. Ao lado do mosteiro funcionam hoje o Museu Nacional de Arqueologia e o Museu da Marinha e próximo, o planetário Calouse Gulbenkian, onde pode-se ver estrelas de dia.

Fome batendo, nada melhor do que visitar a original “fábrica” dos pastéis de Belém, o doce típico que existe em Lisboa desde o século 18, e é feito com um creme de nata e massa folhada. O aroma dos pastéis da antiga Confeitaria de Belém é sentido de longe. Converse com o gerente Vitor Domingos, que é uma simpatia, mas não revela, de jeito algum, o segredo da receita.

Passear e contemplar a rua Vieira Portuguense, bem perto dos Jerônimos, onde funcionam restaurantes, é outra dica no bairro. Seu diferencial são os sobrados coloridos dos séculos 16 e 17 que contrastam com os edifícios da zona central.

Assolada por um terremoto em 1755, parte de Lisboa foi refeita pelo marquês de Pombal. Por conta disso, é fácil andar pela cidade. Na Baixa, na Alta, no Rossio, no Chiado, em Alfama ou junto a Praça do Comércio. É só seguir um mapinha ou ir proseando com os lisboetas.