Pastéis de Belém, bacalhau com natas ou ao murro, açordas, sardinhas assadas, leitão à bairrada com grelos... Come-se maravilhosamente bem em Lisboa. Seja nos grandes restaurantes, nas pequenas tascas, nas confeitarias ou nos cafés, entre eles, A Brasileira, no Chiado, onde Fernando Pessoa costumava sentar-se para uma “bica” enquanto lia os jornais.
O bairro Alto concentra o maior número de cafés e tascas, estabelecimentos tipicamente português. As tascas são lugares pequenos, até mesmo apertados, toscamente decorados e que têm personalidade própria.
Geralmente tocados por uma mesma família e freqüentados pelos alfacinhas de todas as classes sociais que vão até lá, no final da tarde, para beber uma “loirinha fresquinha” (chope), “um copo de três (copo de vinho tinto) ou ginginhas. São lugares especiais se a intenção é se divertir com poucos euros, freqüentados de dia por intelectuais e à noite pela moçada, quando o clima ferve.
Também chamados de tascos em alguns lugares de Portugal, esses estabelecimentos também oferecem o melhor da culinária da terrinha, incluindo frutos do mar pela localização do país, junto ao mar. Os bairros da Alta, em especial o Chiado, são os pontos de maior concentração de tascas e confeitarias em Lisboa. Espaços freqüentados de dia pelos habitantes mais velhos dos bairros, em que todos se conhecem, e de noite por turistas e notívagos, ansiosos por um bate papo entre copos.
Destaque para o “Arroz Doce” ou “Tia Alice”, com decoração original e para os “Catacumbas”, na rua do Rosa, onde se bebe excelente vinho e comem-se “bifanas em pão de lenha”. O Estádio é outro ponto obrigatório, na rua São Pedro de Alcântara, sempre cheio à noite onde ouve-se até mesmo jazz.
Na rua Diário de Notícias fica o “Flor da Branca”, com balcão de mármore gasto pelo tempo. Uma tasca portuguesa, com certeza, especial para se curar dores de amor e a saudade de quem ficou para trás.
Merecem ainda uma parada, o bar Império dos Sentidos, na rua da Atalaia, que oferece música moderna e tem uma clientela cuja marca é o vestuário que mistura anos 60 e 80. O espaço é tão diversificado que também há uma brecha para o fado vadio, aquele cantado por artistas amadores. Assim, é comum observar, numa mesma rua, casais de vozozinhos caminhando ao lado de punks, cada um procurando seu espaço. Um bom exemplo de convivência dos tempos modernos e como Lisboa se modernizou, apesar dos 20 séculos de história.