09 de julho de 2026
Nacional

Animação infantil da Disney mescla cenas de humor e drama

Por Marco Aurélio Canônico | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar do título, “Bambi 2 - O Grande Príncipe da Floresta”, que estréia hoje em Bauru, não é uma continuação. É, na verdade, um interlúdio da clássica animação da Disney de 1942. A história do novo desenho começa logo após o momento de maior drama da animação anterior, uma das cenas mais emocionantes da história do cinema: o assassinato da mãe de Bambi por um caçador e a adoção do pequeno órfão pelo grande cervo da floresta, que ele descobre, naquele momento, ser seu pai.

No filme original, há um salto temporal para atenuar o drama da morte da mãe - Disney preferiu não deprimir a platéia com o sofrimento de Bambi, passando direto ao seu crescimento e terminando com o cervo já adulto, “casado” e com um filhote. Nesta nova animação, a história preenche justamente esse salto, narrando o que acontece quando a criação de Bambi é assumida, meio a contragosto, por seu pai, o tal “Grande Príncipe da Floresta” do título.

Não que os animadores da Disney tenham decidido fazer um drama desta vez. Pelo contrário: “Bambi 2” é ainda mais infantil do que o primeiro, que atingia igualmente adultos e crianças. A monárquica relação entre pai e filho é o tema aqui: no papel de príncipe herdeiro, Bambi precisa aprender os valores de um bom governante da floresta, e estes são transmitidos por seu pai, que, devido às “normas” de seu “cargo”, mantém um distanciamento emocional em relação ao filhote.

O relacionamento dos dois vai mudando à medida que Bambi prova seu valor, fazendo com que o pai desenvolva um afeto genuíno pelo filho. Para isso, o pequeno cervo conta com a ajuda de sua fauna de amigos do desenho original, como sua namorada, Faline, o irrequieto coelho Tambor e o delicado gambá Flor.

Se não atinge a mesma qualidade de seu antecessor - que era praticamente um balé coreografado com música clássica e pintado com tintas impressionistas -, “Bambi 2” também não faz feio: suas animações são admiráveis e seu roteiro dosa bem o humor, o drama, a aventura e o romance. Por fim, há pelo menos uma passagem inovadora: com uma ironia até certo ponto ousada, um dos personagens debocha do nome de Bambi, sugerindo que ele é um sinônimo de efeminação - como, de fato, acabou se tornando após o primeiro desenho.